Fundhacre - Fundação Hospital Estadual do Acre — Prova 2020
Paciente ♂, 50 anos, portador de hepatite B, Child A, MELD 6, apresenta na tomografia de abdome com contraste dinâmico lesão hipervascular com washout precoce e diâmetro de 6,5 cm localizada em segmento III do fígado. A dosagem de alfa-feto-proteína foi de 1900 ng/ml. Qual a melhor conduta?
CHC > 5cm em paciente Child A com MELD baixo e AFP ↑ → Ressecção cirúrgica (segmentectomia).
O paciente apresenta um carcinoma hepatocelular (CHC) com características radiológicas típicas (hipervascularização com washout precoce), AFP muito elevada e tamanho de 6,5 cm. Sendo Child A e MELD 6, sua função hepática é preservada, o que o torna um excelente candidato para ressecção cirúrgica (segmentectomia), que oferece a melhor chance de cura para lesões maiores.
O Carcinoma Hepatocelular (CHC) é o tipo mais comum de câncer primário de fígado e uma das principais causas de morte por câncer globalmente, frequentemente associado à cirrose hepática e infecções crônicas por hepatite B ou C. O diagnóstico é estabelecido por critérios radiológicos característicos em pacientes de risco, muitas vezes complementado pela dosagem de alfa-feto-proteína (AFP). A estratificação do paciente, utilizando classificações como Child-Pugh e MELD, é crucial para determinar a função hepática e, consequentemente, a viabilidade das opções terapêuticas. A conduta para o CHC é guiada por algoritmos como o BCLC (Barcelona Clinic Liver Cancer), que considera o estágio do tumor, a função hepática e o estado geral do paciente. Para pacientes com função hepática preservada (Child A), MELD baixo, e um tumor único de tamanho considerável (como 6,5 cm), a ressecção cirúrgica (segmentectomia ou hepatectomia) é a terapia curativa de escolha. A ressecção oferece as melhores taxas de sobrevida livre de doença e sobrevida global para pacientes bem selecionados. Outras opções terapêuticas incluem o transplante hepático (para pacientes que se enquadram nos critérios de Milão ou expandidos e que não são candidatos à ressecção), e terapias locorregionais como ablação por radiofrequência ou alcoolização percutânea, que são geralmente reservadas para tumores menores (< 3-5 cm) ou como ponte para transplante. A quimioembolização transarterial (TACE) e terapias sistêmicas são indicadas para estágios mais avançados. A escolha da melhor conduta depende de uma avaliação multidisciplinar cuidadosa, considerando todos os fatores prognósticos e as características da lesão.
Os critérios radiológicos para CHC incluem lesão hipervascular na fase arterial e washout precoce na fase portal ou tardia em exames com contraste dinâmico (TC ou RM), em pacientes de risco (cirrose, hepatite B/C).
A ressecção hepática é a melhor opção curativa para CHC em pacientes com função hepática preservada (Child A), sem hipertensão portal clinicamente significativa, e com lesões únicas ou poucas lesões que podem ser removidas com margem cirúrgica adequada.
A AFP é um marcador tumoral que, quando elevada, pode auxiliar no diagnóstico de CHC, especialmente em conjunto com achados radiológicos. Níveis muito elevados, como 1900 ng/ml, são altamente sugestivos de CHC.
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