Carcinoma Hepatocelular: Diagnóstico e Manejo em Cirróticos

SES-PE - Secretaria de Estado de Saúde de Pernambuco — Prova 2022

Enunciado

Um paciente de 65 anos, diabético há mais de 20 anos, com IMC 36 kg/m² realizou ultrassonografia (USG) devido a desconforto abdominal mal caracterizado, que identificou fígado de textura heterogênea e superfície irregular, com nódulo hipoecoico no lobo esquerdo, de 3,5 cm de diâmetro, além de aumento do calibre da veia porta e esplenomegalia. Exames laboratoriais mostraram plaquetopenia, alargamento do INR, hipoalbuminemia, sorologias virais negativas e níveis normais de alfa-fetoproteína. Ressonância do abdome superior confirmou os achados da USG, revelando que o nódulo sofria intenso realce pelo contraste na fase arterial e tornava-se hipodenso na fase portal. Quanto ao diagnóstico da lesão nodular, assinale a alternativa CORRETA.

Alternativas

  1. A) A possibilidade de carcinoma hepatocelular (CHC) é muito remota, já que os níveis de alfa fetoproteína são normais.
  2. B) É imprescindível a realização de biópsia guiada por USG para definição diagnóstica da natureza do nódulo.
  3. C) O caso é muito sugestivo de colangiocarcinoma, e o paciente deverá ser submetido à ressecção da lesão.
  4. D) O diagnóstico ainda está indefinido, e a arteriografia hepática deve ser solicitada para complementar a investigação.
  5. E) O diagnóstico de CHC está definido e, caso não haja doença a distância, o paciente é um candidato a transplante hepático.

Pérola Clínica

Nódulo hepático em cirrótico com realce arterial e washout portal = CHC, mesmo com AFP normal.

Resumo-Chave

Em pacientes com cirrose ou hepatopatia crônica, um nódulo hepático com padrão de realce arterial e washout na fase portal em exames de imagem como RM ou TC é diagnóstico de Carcinoma Hepatocelular (CHC), independentemente dos níveis de alfa-fetoproteína. A biópsia é dispensável nesses casos, conforme os critérios diagnósticos atuais.

Contexto Educacional

O Carcinoma Hepatocelular (CHC) é o tipo mais comum de câncer primário de fígado, frequentemente associado à cirrose hepática, que pode ser causada por hepatites virais, doença hepática gordurosa não alcoólica (DHGNA) ou consumo de álcool. Sua alta prevalência e mortalidade o tornam um tópico crucial na medicina. A fisiopatologia envolve a progressão da hepatopatia crônica para cirrose, criando um ambiente propício para a transformação maligna dos hepatócitos. O diagnóstico é predominantemente baseado em exames de imagem (TC ou RM com contraste), que demonstram o padrão clássico de realce arterial e washout portal/tardio em nódulos maiores que 1 cm em pacientes de risco. A biópsia é evitada quando os critérios radiológicos são patognomônicos. O tratamento varia conforme o estágio da doença e a função hepática, incluindo ressecção cirúrgica, ablação, quimioembolização e transplante hepático. O transplante é uma opção curativa para pacientes com CHC em estágios iniciais (critérios de Milão ou expandidos) e função hepática comprometida, oferecendo a remoção tanto do tumor quanto da doença hepática subjacente.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios radiológicos para diagnosticar CHC?

O diagnóstico de CHC em pacientes de risco é feito por imagem (TC/RM) quando um nódulo apresenta realce arterial intenso e washout na fase portal ou tardia.

A alfa-fetoproteína é sempre elevada no CHC?

Não, a alfa-fetoproteína pode estar normal em até 40% dos casos de CHC, especialmente em estágios iniciais, e não é um critério diagnóstico isolado.

Quando a biópsia hepática é necessária para CHC?

A biópsia é geralmente reservada para casos atípicos ou quando os critérios radiológicos não são conclusivos, especialmente em pacientes sem cirrose.

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