Diagnóstico de Carcinoma Hepatocelular na Cirrose

PSU-GO - Processo Seletivo Unificado de Goiás — Prova 2025

Enunciado

Paciente portador de cirrose de etiologia metabólica, diabetes tipo 2 e obesidade, retorna na consulta assintomático, compensado, trazendo consigo uma tomografia computadorizada onde se evidencia uma lesão nodular medindo 2,3 cm no lobo direito, com captação precoce do contras na fase arterial e lavagem rápida na fase portal e tardia, apresentando pseudocápsula. De acordo com o relato apresentado, qual é o provável diagnóstico para este paciente?

Alternativas

  1. A) Lesão metastática.
  2. B) Hemangioma.
  3. C) Nódulo de regeneração.
  4. D) Carcinoma hepatocelular.

Pérola Clínica

Cirrose + Nódulo > 1cm + Wash-in arterial + Wash-out portal = Carcinoma Hepatocelular.

Resumo-Chave

Em pacientes cirróticos, o diagnóstico de HCC é radiológico quando apresenta o padrão clássico de realce arterial seguido de lavagem (wash-out) em nódulos maiores que 1 cm.

Contexto Educacional

O carcinoma hepatocelular (HCC) é a principal neoplasia primária do fígado e ocorre predominantemente em pacientes com cirrose estabelecida. A fisiopatologia envolve a neoangiogênese, onde o suprimento sanguíneo do nódulo passa a ser predominantemente arterial, enquanto o parênquima circundante mantém suprimento portal. Isso explica o realce intenso na fase arterial da tomografia.\n\nO manejo clínico exige vigilância semestral com ultrassonografia em pacientes de risco. Quando um nódulo é detectado, a TC ou RM com protocolo trifásico é mandatória. O sistema LI-RADS padroniza essa interpretação, garantindo que pacientes com lesões típicas possam ser encaminhados diretamente para tratamento, seja ele ressecção, transplante ou terapias locorregionais, sem os atrasos e riscos de uma biópsia percutânea.

Perguntas Frequentes

Quais os critérios para diagnóstico radiológico de HCC?

O diagnóstico radiológico de Carcinoma Hepatocelular (HCC) em pacientes com cirrose ou hepatite B crônica baseia-se na identificação de um nódulo maior ou igual a 10 mm que apresente hiper-realce na fase arterial (wash-in) e subsequente lavagem do contraste (wash-out) nas fases portal ou tardia. A presença de uma pseudocápsula também é um critério maior dentro do sistema LI-RADS. Quando esses critérios são preenchidos em exames de TC ou RM com contraste dinâmico, o diagnóstico é definitivo (LI-RADS 5), dispensando a necessidade de confirmação histopatológica por biópsia, que fica reservada para casos indeterminados.

Por que a biópsia é evitada no diagnóstico de HCC típico?

A biópsia hepática em pacientes cirróticos com suspeita de HCC é evitada devido ao risco de complicações, como hemorragia (frequentemente exacerbada por coagulopatia e plaquetopenia da cirrose) e o risco de 'seeding' ou disseminação de células tumorais ao longo do trajeto da agulha. Como a especificidade dos exames de imagem (TC e RM) para o padrão de wash-in/wash-out em fígados cirróticos é extremamente alta (próxima a 100%), o risco-benefício da biópsia não justifica o procedimento quando os critérios radiológicos são preenchidos.

Qual a importância da pseudocápsula no diagnóstico?

A pseudocápsula é um dos critérios maiores do LI-RADS para a classificação de nódulos hepáticos. Ela se manifesta como um realce periférico nas fases portal ou tardia. Sua presença aumenta a probabilidade de que a lesão seja um carcinoma hepatocelular, diferenciando-o de nódulos de regeneração ou displásicos. No contexto de um paciente cirrótico com uma lesão > 2 cm apresentando wash-in e wash-out, a pseudocápsula reforça a classificação LI-RADS 5, indicando alta especificidade para malignidade primária do fígado.

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