Carcinoma de Vulva: Diagnóstico e Conduta em Idosas

HSJ - Hospital São José (PR) — Prova 2023

Enunciado

Paciente de 75 anos procura atendimento ginecológico com queixa de dor na região genital com vários meses de evolução. À inspeção, o ginecologista observa a presença de uma única úlcera localizada entre o grande lábio direito e o clitóris. A úlcera tem aproximadamente 2 cm de diâmetro, com bordos elevados e endurados, e destruindo parte do caput do clitóris. Não há nenhuma outra lesão semelhante em nenhuma parte do corpo. Além disso, o ginecologista observa linfadenopatia em cadeia inguinal direita, apresentando alguns linfonodos endurecidos e indolores à palpação. Em relação ao caso descrito, qual alternativa abaixo descreve a melhor conduta?

Alternativas

  1. A) Realizar exames para rastreamento de TORCHs.
  2. B) Tratar como leishmaniose.
  3. C) Prescrever cetoconazol pomada para aplicação 2 vezes ao dia.
  4. D) Realizar exames para rastreamento de DST's.
  5. E) Realizar exames para rastreamento de DST's e biópsia incisional da lesão.

Pérola Clínica

Úlcera genital indurada em idosa com linfonodos endurecidos → alta suspeita de carcinoma espinocelular de vulva = biópsia + rastreamento DST.

Resumo-Chave

Em pacientes idosas com úlceras genitais crônicas, endurecidas e com linfonodopatia inguinal pétrea, a principal suspeita deve ser neoplasia maligna, como o carcinoma espinocelular de vulva. A biópsia incisional é essencial para o diagnóstico definitivo, e o rastreamento de DSTs é complementar para descartar outras etiologias ou coinfecções.

Contexto Educacional

O carcinoma espinocelular de vulva é a neoplasia maligna mais comum da vulva, afetando predominantemente mulheres idosas. Sua apresentação clínica clássica inclui uma lesão ulcerada ou vegetante, endurecida, com bordos elevados e que pode ser acompanhada de linfadenopatia inguinal. A importância clínica reside na necessidade de um diagnóstico precoce para um melhor prognóstico. A fisiopatologia está frequentemente associada à infecção crônica por HPV de alto risco, embora outros fatores como líquen escleroso e tabagismo também contribuam. O diagnóstico é feito pela biópsia da lesão, que deve ser incisional para obter material adequado. A suspeita deve surgir diante de qualquer lesão vulvar crônica que não cicatriza ou que apresenta características atípicas. O tratamento primário é cirúrgico, com ressecção da lesão e linfadenectomia inguinal, dependendo do estadiamento. O prognóstico está diretamente relacionado ao tamanho da lesão e ao envolvimento linfonodal. É fundamental que residentes e profissionais de saúde estejam atentos a essas lesões para evitar atrasos diagnósticos.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de alerta para carcinoma de vulva em úlceras genitais?

Sinais de alerta incluem úlceras crônicas, endurecidas, com bordos elevados, que não cicatrizam, e a presença de linfonodos inguinais aumentados, endurecidos e indolores, especialmente em mulheres idosas.

Qual a importância da biópsia incisional em lesões vulvares suspeitas?

A biópsia incisional é crucial para obter um diagnóstico histopatológico definitivo, diferenciando lesões benignas de malignas e guiando o tratamento adequado, que pode ser cirúrgico.

Como diferenciar úlceras genitais malignas de infecciosas?

Úlceras malignas tendem a ser crônicas, endurecidas, com bordos elevados e indolores, enquanto as infecciosas (DSTs) podem ser agudas, dolorosas e com características inflamatórias, embora a biópsia seja definitiva.

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