ENARE/ENAMED — Prova 2025
Um homem de 47 anos de idade, fumante há 30 anos e com histórico de consumo de bebidas alcoólicas destiladas, apresenta uma úlcera dolorosa na língua há 3 meses. Relata que a lesão não cicatriza e está aumentando de tamanho. Além disso, nota dificuldade para engolir e dor referida no ouvido. Ao exame físico, observa-se uma úlcera irregular na borda lateral da língua, com margens endurecidas e base infiltrada. Não há linfonodos cervicais palpáveis.O diagnóstico provável e o tratamento inicial mais adequado para esse paciente são, respectivamente:
Úlcera oral persistente >3 meses em fumante/etilista com disfagia/otalgia → Carcinoma espinocelular (biópsia urgente).
A apresentação clínica de uma úlcera oral persistente, dolorosa, com margens endurecidas e base infiltrada, especialmente em pacientes com fatores de risco como tabagismo e etilismo, é altamente sugestiva de carcinoma espinocelular. A dor referida no ouvido (otalgia) e a disfagia são sinais de alerta para invasão tumoral.
O carcinoma espinocelular oral (CEC) é o tipo mais comum de câncer de boca, representando cerca de 90% das neoplasias malignas da cavidade oral. Sua incidência está fortemente associada a fatores de risco como tabagismo e etilismo crônico, sendo mais prevalente em homens acima dos 40 anos. O diagnóstico precoce é crucial para um melhor prognóstico. A suspeita de CEC oral surge diante de lesões persistentes na mucosa oral, como úlceras, placas brancas (leucoplasias) ou vermelhas (eritroplasias) que não cicatrizam em 2-3 semanas. Sinais como dor, disfagia, otalgia referida (dor no ouvido sem causa otológica aparente, devido à inervação compartilhada) e aumento de volume são indicativos de progressão da doença. Ao exame físico, a palpação de endurecimento e infiltração na base da lesão são achados altamente sugestivos de malignidade. A conduta inicial e mais importante é a biópsia incisional da lesão, que deve incluir tecido representativo da área mais suspeita e da transição entre tecido normal e alterado. Após a confirmação histopatológica, o paciente deve ser submetido a estadiamento completo, que pode incluir exames de imagem como tomografia computadorizada ou ressonância magnética, para avaliar a extensão local, regional e a distância. O tratamento primário para o CEC oral em estágios iniciais é geralmente cirúrgico, com ressecção da lesão e margens de segurança, podendo ser complementado com radioterapia ou quimioterapia dependendo do estadiamento e fatores de risco.
Sinais de alerta incluem úlceras orais que não cicatrizam em 2-3 semanas, lesões com margens endurecidas ou base infiltrada, dor persistente, disfagia e otalgia referida, especialmente em pacientes com histórico de tabagismo e etilismo.
A biópsia é fundamental para confirmar o diagnóstico histopatológico do carcinoma espinocelular, determinar o tipo e grau de diferenciação do tumor, e guiar o estadiamento e o plano de tratamento adequado.
Os principais fatores de risco são o tabagismo e o consumo excessivo de álcool, que atuam sinergicamente. Outros fatores incluem infecção por HPV, má higiene oral e irritação crônica.
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