MedEvo Simulado — Prova 2026
Antônio, 62 anos, tabagista de longa data (carga tabágica de 45 anos-maço) e etilista moderado, procura atendimento médico devido a um quadro de rouquidão persistente e progressiva com início há aproximadamente cinco meses. Relata que, nas últimas semanas, passou a sentir um leve desconforto ao deglutir alimentos sólidos, mas nega dispneia ou perda ponderal significativa. Ao exame físico, não foram palpadas massas ou linfonodomegalias cervicais suspeitas. A videolaringoscopia evidenciou uma lesão vegetante e irregular, localizada no terço médio da prega vocal direita, que não atinge a comissura anterior nem a região subglótica. Observou-se que a mobilidade de ambas as pregas vocais está preservada. Diante desse quadro clínico, o diagnóstico mais provável e a conduta inicial correta são:
Rouquidão > 3 semanas em tabagista → Videolaringoscopia + Biópsia para excluir CEC.
Em pacientes com fatores de risco (tabagismo/etilismo) e lesão vegetante em prega vocal, a biópsia sob anestesia geral é o passo inicial obrigatório para diagnóstico e estadiamento.
O carcinoma espinocelular (CEC) representa mais de 90% das neoplasias malignas da laringe. A apresentação clínica clássica é a rouquidão progressiva. O diagnóstico diferencial inclui nódulos vocais, pólipos, papilomatose e laringites, mas a epidemiologia (idade e tabagismo) direciona fortemente para malignidade. A conduta inicial exige visualização direta e coleta de tecido. O tratamento moderno foca na preservação de órgão, utilizando protocolos de rádio e quimioterapia ou cirurgias minimamente invasivas para manter a qualidade de vida do paciente.
O tabagismo é o principal fator de risco isolado, aumentando drasticamente a chance de desenvolvimento de carcinoma espinocelular (CEC) de laringe. O consumo de álcool atua de forma sinérgica com o tabaco, multiplicando o risco. Outros fatores incluem a exposição a agentes químicos industriais (amianto, níquel), refluxo laringofaríngeo crônico e, em alguns subtipos (especialmente orofaringe, mas menos comum na laringe glótica), a infecção pelo HPV. Em pacientes idosos com longa carga tabágica, qualquer alteração vocal persistente deve ser encarada como neoplasia até que se prove o contrário através de exames endoscópicos e histopatológicos.
O estadiamento baseia-se no sistema TNM. O 'T' (tumor) avalia a extensão local: T1 envolve pregas vocais com mobilidade preservada; T2 estende-se para supraglote ou subglote com mobilidade preservada ou reduzida; T3 apresenta fixação da prega vocal; T4 invade cartilagem tireoide ou tecidos extralaríngeos. O 'N' avalia linfonodos cervicais e o 'M' metástases à distância (pulmão é o sítio mais comum). A laringoscopia direta sob anestesia geral é fundamental para avaliar a extensão precisa (comissuras, subglote) e realizar a biópsia, enquanto exames de imagem como TC ou RM de pescoço auxiliam na avaliação de invasão profunda e linfonodal.
O câncer de laringe glótico (nas pregas vocais) geralmente tem um excelente prognóstico quando diagnosticado precocemente (estádios I e II). Isso ocorre porque a região glótica possui pouca drenagem linfática, o que retarda a disseminação para linfonodos cervicais, e o sintoma de rouquidão aparece muito cedo, levando o paciente a buscar auxílio médico. As taxas de cura para tumores T1 e T2 podem ultrapassar 80-90% com tratamentos conservadores, como radioterapia exclusiva ou cirurgia transoral a laser (cordectomia), permitindo a preservação da função fonatória e respiratória da laringe.
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