Carcinoma de Laringe: Diagnóstico e Conduta Inicial

MedEvo Simulado — Prova 2026

Enunciado

Um homem de 65 anos de idade, com carga tabágica de 40 maços-ano e consumo regular de aguardente, procura atendimento médico devido a um quadro de rouquidão progressiva iniciado há quatro meses. Relata que, nas últimas semanas, passou a apresentar dor persistente no ouvido direito, apesar de não notar secreção ou perda auditiva. Ao exame físico, apresenta bom estado geral, mas nota-se discreto estridor inspiratório aos grandes esforços. A otoscopia é bilateralmente normal. Na palpação cervical, identifica-se uma massa de 3,0 cm de diâmetro, endurecida e pouco móvel, localizada no nível III à direita. A oroscopia e a rinoscopia anterior não demonstram lesões suspeitas. Com base nesse quadro clínico, o diagnóstico mais provável e a conduta inicial diagnóstica são:

Alternativas

  1. A) Nódulo de pregas vocais; fonoterapia e reavaliação laringoscópica em seis meses.
  2. B) Cisto branquial infectado; punção aspirativa por agulha fina e antibioticoterapia.
  3. C) Tuberculose laríngea; pesquisa de BAAR no escarro e radiografia de tórax.
  4. D) Carcinoma espinocelular de laringe; laringoscopia com biópsia e tomografia de pescoço.

Pérola Clínica

Rouquidão > 3 semanas + otalgia reflexa + tabagismo/etilismo = Suspeita de CEC de laringe.

Resumo-Chave

Em pacientes tabagistas com rouquidão crônica e massa cervical, a otalgia reflexa sugere fortemente neoplasia laríngea avançada infiltrando nervos cranianos.

Contexto Educacional

O carcinoma espinocelular (CEC) de laringe é a neoplasia maligna mais comum das vias aerodigestivas superiores, fortemente associada ao binômio tabaco-álcool. A apresentação clínica varia conforme a localização (supraglote, glote ou subglote), sendo a rouquidão o sintoma cardinal das lesões glóticas precoces. Já tumores supraglóticos podem ser silenciosos até atingirem estágios avançados, manifestando-se com disfagia ou otalgia reflexa. O diagnóstico definitivo requer visualização direta por laringoscopia e biópsia tecidual. O estadiamento TNM orienta a terapia, que pode incluir preservação de órgão com quimiorradioterapia ou laringectomias parciais/totais.

Perguntas Frequentes

Por que ocorre otalgia no câncer de laringe?

A otalgia no câncer de laringe é do tipo reflexa ou referida. Ela ocorre devido à inervação compartilhada entre a laringe/faringe e o ouvido médio/externo, mediada principalmente pelos nervos glossofaríngeo (IX) e vago (X). Quando uma neoplasia infiltra estruturas laríngeas, o estímulo doloroso é percebido pelo cérebro como originário do pavilhão auricular ou conduto auditivo, mesmo com a otoscopia normal.

Qual a importância da massa cervical nível III?

A presença de uma massa endurecida no nível III (cadeia jugular média) em um paciente com sintomas laríngeos é altamente sugestiva de metástase linfonodal regional de um carcinoma espinocelular. Isso altera o estadiamento clínico (N) e o prognóstico, exigindo investigação imediata com exames de imagem como tomografia computadorizada de pescoço e biópsia da lesão primária.

Qual o papel da tomografia no diagnóstico inicial?

A tomografia computadorizada (TC) de pescoço com contraste é fundamental para avaliar a extensão profunda do tumor primário, o envolvimento de cartilagens, a invasão de espaços pré-epiglótico e paraglótico, além de mapear metástases linfonodais cervicais que podem não ser palpáveis, sendo essencial para o planejamento terapêutico cirúrgico ou radioterápico.

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