Câncer de Esôfago: Tipo Histológico e Localização Comum

UNITAU - Universidade de Taubaté (SP) — Prova 2024

Enunciado

Paciente alcoólatra de longa data, iniciou com dificuldade de ingerir alimentos sólidos há 6 meses. Emagreceu 20 % do peso corporal nos últimos meses e apresenta alteração de fala. Qual o tipo histológico mais frequente e local mais comum de acometimento?

Alternativas

  1. A) Carcinoma espinocelular / esôfago cervical.
  2. B) Carcinoma espinocelular / 1/3 médio torácico.
  3. C) Adenocarcinoma/ 1/3 médio torácico.
  4. D) Carcinoma espinocelular / 1/3 médio torácico.

Pérola Clínica

Alcoolismo + disfagia progressiva → Carcinoma espinocelular de esôfago; esôfago cervical pode ser acometido.

Resumo-Chave

Em pacientes com histórico de alcoolismo e disfagia progressiva, o carcinoma espinocelular é o tipo histológico mais comum de câncer de esôfago. Embora o terço médio seja a localização mais frequente, o esôfago cervical pode ser acometido, e a alteração de fala pode sugerir envolvimento de estruturas adjacentes, como o nervo laríngeo recorrente.

Contexto Educacional

O câncer de esôfago é uma neoplasia maligna com alta morbimortalidade, sendo o oitavo câncer mais comum no mundo. Existem dois tipos histológicos principais: o carcinoma espinocelular e o adenocarcinoma. O carcinoma espinocelular é mais prevalente globalmente, especialmente em regiões da Ásia e África, e está fortemente associado a fatores de risco como tabagismo, alcoolismo, deficiências nutricionais e ingestão de bebidas quentes. O adenocarcinoma, por sua vez, é mais comum em países ocidentais e está ligado ao esôfago de Barrett e doença do refluxo gastroesofágico (DRGE). A fisiopatologia do carcinoma espinocelular envolve a irritação crônica da mucosa esofágica, levando a metaplasia, displasia e, finalmente, carcinoma in situ e invasivo. Os sintomas iniciais são inespecíficos, mas a disfagia progressiva para sólidos é o sintoma mais comum e alarmante, frequentemente acompanhada de perda de peso significativa. Outros sintomas podem incluir odinofagia, dor retroesternal e, em casos de invasão local, rouquidão (por acometimento do nervo laríngeo recorrente) ou tosse (por fístula traqueoesofágica). O diagnóstico é feito por endoscopia digestiva alta com biópsia. O estadiamento envolve tomografia computadorizada de tórax e abdome, PET-CT e ultrassonografia endoscópica. O tratamento depende do estadiamento e pode incluir cirurgia, quimioterapia, radioterapia ou uma combinação dessas modalidades. O prognóstico é geralmente reservado devido ao diagnóstico tardio na maioria dos casos.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores de risco para o carcinoma espinocelular de esôfago?

Os principais fatores de risco incluem o consumo crônico de álcool e tabaco, deficiências nutricionais, ingestão de bebidas muito quentes, acalasia e tilose palmar. A combinação de álcool e tabaco aumenta exponencialmente o risco.

Como a disfagia progressiva se manifesta no câncer de esôfago?

A disfagia no câncer de esôfago geralmente começa com dificuldade para ingerir alimentos sólidos, progredindo gradualmente para alimentos pastosos e, por fim, líquidos, à medida que o tumor obstrui a luz esofágica.

Qual a importância da "alteração de fala" no contexto de câncer de esôfago cervical?

A alteração de fala, como rouquidão, em um paciente com câncer de esôfago cervical pode indicar invasão do nervo laríngeo recorrente pelo tumor, um sinal de doença avançada e que pode impactar o estadiamento e o plano terapêutico.

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