UFRJ/HUCFF - Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (RJ) — Prova 2025
Homem, 65 anos, tabagista e etilista, apresenta quadro de disfagia de condução com piora progressiva, atualmente para alimentos líquidos, e perda ponderal significativa. Endoscopia digestiva alta (EDA): lesão vegetante, friável e estenosante em esôfago proximal. Considerando a hipótese de malignidade para a lesão, podese afirmar que:
Esôfago proximal/médio + CEC → Broncoscopia obrigatória para excluir invasão de via aérea.
Tumores de esôfago proximal e médio, geralmente carcinomas espinocelulares associados ao tabagismo, exigem avaliação da árvore traqueobronquial para estadiamento locorregional.
O câncer de esôfago apresenta dois tipos histológicos principais com etiologias distintas. O carcinoma espinocelular (CEC) é fortemente associado a fatores de risco como tabagismo, etilismo e ingestão de bebidas muito quentes. Já o adenocarcinoma tem crescido em incidência no ocidente, impulsionado pela doença do refluxo gastroesofágico (DRGE) e sua complicação, o esôfago de Barrett. O estadiamento envolve a avaliação da profundidade da invasão (T) via ecoendoscopia, acometimento linfonodal (N) e metástases (M) via TC ou PET-CT. Para tumores proximais, a broncoscopia é mandatória. O tratamento varia desde ressecção endoscópica em tumores muito precoces até esofagectomia com linfadenectomia, frequentemente precedida por quimiorradioterapia neoadjuvante em casos localmente avançados.
Devido à proximidade anatômica do esôfago proximal e médio com a traqueia e os brônquios fonte, tumores nessas localizações podem invadir a árvore respiratória. A broncoscopia é essencial para identificar invasão direta ou fístulas, o que contraindica a cirurgia curativa imediata.
O Carcinoma Espinocelular (CEC) está ligado ao tabagismo e etilismo, ocorrendo mais nos terços superior e médio. O Adenocarcinoma está associado ao refluxo gastroesofágico crônico, obesidade e esôfago de Barrett, localizando-se preferencialmente no terço distal.
A disfagia de condução progressiva (inicialmente para sólidos, evoluindo para líquidos) associada a perda ponderal significativa é o quadro clássico. Quando esses sintomas surgem, a doença geralmente já se encontra em estágio avançado ou estenosante.
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