Câncer de Esôfago Proximal: Estadiamento e Conduta

UFRJ/HUCFF - Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (RJ) — Prova 2025

Enunciado

Homem, 65 anos, tabagista e etilista, apresenta quadro de disfagia de condução com piora progressiva, atualmente para alimentos líquidos, e perda ponderal significativa. Endoscopia digestiva alta (EDA): lesão vegetante, friável e estenosante em esôfago proximal. Considerando a hipótese de malignidade para a lesão, podese afirmar que:

Alternativas

  1. A) A broncoscopia faz parte do estadiamento.
  2. B) O tipo histológico mais provável é adenocarcinoma.
  3. C) Há provável relação com esôfago de Barrett.
  4. D) Na ausência de metástases, a principal opção de tratamento é cirúrgico.

Pérola Clínica

Esôfago proximal/médio + CEC → Broncoscopia obrigatória para excluir invasão de via aérea.

Resumo-Chave

Tumores de esôfago proximal e médio, geralmente carcinomas espinocelulares associados ao tabagismo, exigem avaliação da árvore traqueobronquial para estadiamento locorregional.

Contexto Educacional

O câncer de esôfago apresenta dois tipos histológicos principais com etiologias distintas. O carcinoma espinocelular (CEC) é fortemente associado a fatores de risco como tabagismo, etilismo e ingestão de bebidas muito quentes. Já o adenocarcinoma tem crescido em incidência no ocidente, impulsionado pela doença do refluxo gastroesofágico (DRGE) e sua complicação, o esôfago de Barrett. O estadiamento envolve a avaliação da profundidade da invasão (T) via ecoendoscopia, acometimento linfonodal (N) e metástases (M) via TC ou PET-CT. Para tumores proximais, a broncoscopia é mandatória. O tratamento varia desde ressecção endoscópica em tumores muito precoces até esofagectomia com linfadenectomia, frequentemente precedida por quimiorradioterapia neoadjuvante em casos localmente avançados.

Perguntas Frequentes

Por que realizar broncoscopia no câncer de esôfago proximal?

Devido à proximidade anatômica do esôfago proximal e médio com a traqueia e os brônquios fonte, tumores nessas localizações podem invadir a árvore respiratória. A broncoscopia é essencial para identificar invasão direta ou fístulas, o que contraindica a cirurgia curativa imediata.

Qual a diferença entre CEC e Adenocarcinoma de esôfago?

O Carcinoma Espinocelular (CEC) está ligado ao tabagismo e etilismo, ocorrendo mais nos terços superior e médio. O Adenocarcinoma está associado ao refluxo gastroesofágico crônico, obesidade e esôfago de Barrett, localizando-se preferencialmente no terço distal.

Qual o principal sintoma do câncer de esôfago avançado?

A disfagia de condução progressiva (inicialmente para sólidos, evoluindo para líquidos) associada a perda ponderal significativa é o quadro clássico. Quando esses sintomas surgem, a doença geralmente já se encontra em estágio avançado ou estenosante.

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