Hospital Alemão Oswaldo Cruz (SP) — Prova 2020
Homem, 57 anos, foi submetido a endoscopia digestiva alta devido a disfagia e perda de peso. O exame evidenciou lesão ulcerada de cerca de 2 cm no terço médio do esôfago. A biópsia revelou tratar-se de carcinoma espinocelular. O estadiamento com ecoendoscopia evidenciou linfonodos torácicos peri-lesionais aumentados de tamanho e lesão que se estende até a adventícia; a tomografia com emissão de pósitrons (PET CT) apresentou captação aumentada no esôfago e linfonodos peri-esofágicos. Tem diabete melito e hipertensão arterial controlados com medicamentos. Apesar dos sintomas gastrointestinais continuou trabalhando como motorista de táxi. Qual é a melhor conduta neste momento?
Ca Esôfago T3 ou N+ → Neoadjuvância (QT/RT) + Cirurgia.
Para tumores de esôfago localmente avançados (T3/T4 ou linfonodo positivo), a terapia trimodal (neoadjuvância seguida de esofagectomia) oferece melhores taxas de sobrevida.
O carcinoma espinocelular (CEC) de esôfago está fortemente associado ao tabagismo e etilismo. O diagnóstico tardio é comum devido à distensibilidade do órgão, manifestando-se com disfagia apenas quando a luz está significativamente obstruída. O estadiamento preciso com ecoendoscopia (padrão-ouro para T e N regional) e PET-CT define a estratégia terapêutica. A abordagem multidisciplinar é essencial, sendo a quimiorradioterapia neoadjuvante (Protocolo CROSS) o padrão de cuidado para casos localmente avançados, visando a cura.
A neoadjuvância (quimiorradioterapia ou quimioterapia isolada) está indicada para tumores de esôfago (tanto CEC quanto adenocarcinoma) que são considerados localmente avançados no estadiamento pré-operatório. Isso inclui tumores T2 com fatores de risco, T3, T4a ou qualquer tumor com evidência de acometimento linfonodal regional (N+). O objetivo é aumentar a taxa de ressecção R0 e melhorar a sobrevida global.
O PET-CT é fundamental no estadiamento do câncer de esôfago para detectar metástases à distância ocultas em exames de imagem convencionais. Ele também auxilia na avaliação da resposta à terapia neoadjuvante. No caso clínico, a captação em linfonodos peri-esofágicos confirmou o status N+, reforçando a necessidade de tratamento sistêmico inicial antes da abordagem cirúrgica definitiva.
As principais técnicas são a esofagectomia transtorácica (Ivor Lewis ou McKeown) e a transhiatal. A escolha depende da localização do tumor e da preferência do cirurgião. Para tumores do terço médio, como no caso, a abordagem transtorácica permite uma linfadenectomia mediastinal mais completa, o que é crucial em pacientes com linfonodos positivos após a neoadjuvância.
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