Carcinoma Espinocelular do Esôfago: Fatores de Risco e Diagnóstico

Santa Casa de Ourinhos (SP) — Prova 2025

Enunciado

Paciente masculino, 73 anos de idade, etilismo e tabagista, comparece em consulta ambulatorial com queixa de tosse seca e dor epigástrica em queimação há 5 meses, associado a perda ponderal de 10 kg (antes pesava 90 kg, peso atual de 80 kg). Foi levantada a suspeita de doença do refluxo gastroesofágico (DRGE) e solicitada endoscopia digestiva alta (EDA). Em relação ao caso, assinale a alternativa correta:

Alternativas

  1. A) A EDA foi inapropriadamente solicitada, já que a mesma não permite o diagnóstico de DRGE e o paciente não possui sinais de alarme.
  2. B) A EDA permite a visualização de um esôfago distal com coloração vermelho-salmão, fechando assim o diagnóstico de esôfago de Barrett, e permitindo o tratamento do mesmo.
  3. C) O etilismo e o tabagismo estão entre os principais fatores de risco para carcinoma espinocelular do esôfago, assim como a tilose palmoplantar.
  4. D) A DRGE possui como siopatologia a contração simultânea e intensa do corpo esofagiano, o que pode cursar com dor retroesternal.

Pérola Clínica

Etilismo + tabagismo são os principais FR para carcinoma espinocelular de esôfago.

Resumo-Chave

O carcinoma espinocelular do esôfago está fortemente associado a fatores de risco como etilismo e tabagismo. Pacientes idosos com esses hábitos e sintomas como perda ponderal, tosse seca e dor epigástrica, mesmo que sugestivos de DRGE, devem ter suspeita de malignidade e investigação com EDA.

Contexto Educacional

O carcinoma de esôfago é uma neoplasia agressiva, com dois tipos histológicos principais: o adenocarcinoma e o carcinoma espinocelular. O carcinoma espinocelular, mais comum em algumas regiões do mundo, está fortemente associado a fatores de risco ambientais e de estilo de vida. A história de etilismo e tabagismo, como no caso apresentado, são os principais fatores de risco para o desenvolvimento dessa neoplasia, aumentando significativamente a probabilidade. Outros fatores incluem acalasia, tilose palmoplantar e ingestão de cáusticos. Sintomas como tosse seca, dor epigástrica em queimação e, principalmente, perda ponderal significativa em um paciente idoso com histórico de etilismo e tabagismo, são sinais de alarme que não devem ser subestimados. Embora possam mimetizar sintomas de Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE), a presença de sinais de alarme exige investigação imediata para excluir malignidade. A endoscopia digestiva alta (EDA) é o exame padrão-ouro para o diagnóstico de lesões esofágicas, permitindo a visualização direta da mucosa, biópsias e estadiamento inicial. Em pacientes com fatores de risco e sintomas de alarme, a EDA é fundamental para diferenciar DRGE de condições mais graves, como o câncer de esôfago, e iniciar o tratamento adequado o mais precocemente possível, o que é crucial para o prognóstico.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores de risco para o carcinoma espinocelular do esôfago?

Os principais fatores de risco incluem etilismo crônico, tabagismo, acalasia, tilose palmoplantar, ingestão de cáusticos e deficiências nutricionais.

Quando a endoscopia digestiva alta (EDA) é indicada em pacientes com sintomas de DRGE?

A EDA é indicada em pacientes com sintomas de DRGE que apresentam sinais de alarme, como disfagia, odinofagia, perda ponderal, anemia, hemorragia digestiva, ou em pacientes com mais de 50 anos com DRGE de longa data.

Qual a relação entre DRGE e câncer de esôfago?

A DRGE crônica é um fator de risco para o adenocarcinoma de esôfago (via Esôfago de Barrett), enquanto o carcinoma espinocelular está mais associado a etilismo e tabagismo.

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