PSU-MG - Processo Seletivo Unificado de Minas Gerais — Prova 2024
PSM, 59 anos, sexo masculino, com quadro de disfagia progressiva, apresentou perda ponderal de 20Kg nos últimos seis meses. Relata ingestão de um litro de aguardente por dia até há três meses. Foi submetido a exame de endoscopia digestiva alta, que evidenciou grande lesão úlcero-infiltrativa, de limites mal definidos, localizada a 25cm da ADS. Não foi possível a progressão do aparelho. Biópsia da lesão evidenciou CCE. Em relação à condução desse caso, assinale a alternativa ERRADA.
CCE esôfago: estadiamento completo e neoadjuvância são prioritários; gastrostomia imediata raramente é a primeira conduta.
Em casos de CCE de esôfago com disfagia e perda ponderal, o estadiamento completo com TC de tórax e abdome é crucial. A quimiorradioterapia neoadjuvante é frequentemente indicada para lesões localmente avançadas. A gastrostomia é uma via alimentar, mas sua indicação imediata deve ser cuidadosamente avaliada após o estadiamento e plano terapêutico, não sendo a primeira medida de rotina.
O carcinoma espinocelular (CCE) do esôfago é uma neoplasia agressiva, frequentemente associada a fatores de risco como tabagismo e etilismo. A disfagia progressiva e a perda ponderal são sintomas comuns que indicam doença avançada. O diagnóstico é feito por endoscopia digestiva alta com biópsia, e o estadiamento preciso é crucial para definir a melhor estratégia terapêutica, que pode incluir cirurgia, quimioterapia e radioterapia. A fisiopatologia envolve a transformação maligna do epitélio escamoso do esôfago, levando à formação de lesões úlcero-infiltrativas que podem obstruir o lúmen. A suspeita deve surgir em pacientes com disfagia, odinofagia, perda de peso inexplicada e histórico de fatores de risco. O estadiamento por TC de tórax e abdome é fundamental para avaliar a extensão da doença e a presença de metástases, enquanto a broncoscopia pode ser necessária para descartar invasão traqueobrônquica em lesões de esôfago médio. O tratamento do CCE de esôfago é multidisciplinar. Para doenças localmente avançadas e ressecáveis, a quimiorradioterapia neoadjuvante seguida de cirurgia é o padrão-ouro, visando a redução tumoral e a melhora da sobrevida. A gastrostomia, embora importante para suporte nutricional, não é uma medida inicial de rotina, sendo considerada após o estadiamento e a definição do plano terapêutico, ou em casos de obstrução completa e intratável. O prognóstico depende do estágio da doença ao diagnóstico.
O estadiamento do câncer de esôfago geralmente inclui tomografia computadorizada (TC) de tórax e abdome para avaliar a extensão da doença e metástases. A ecoendoscopia é fundamental para avaliar a profundidade da invasão tumoral e o envolvimento linfonodal regional. PET-CT pode ser usado em casos selecionados.
A quimiorradioterapia neoadjuvante é indicada para pacientes com carcinoma espinocelular de esôfago localmente avançado, sem metástases a distância, com o objetivo de reduzir o tamanho do tumor, esterilizar linfonodos e melhorar a ressecabilidade cirúrgica, aumentando as chances de cura.
A gastrostomia é uma via alternativa para alimentação em pacientes com disfagia grave ou obstrução esofágica que impede a ingestão oral adequada. No entanto, raramente é a primeira conduta. Geralmente, é considerada após o estadiamento e a definição do plano terapêutico, podendo ser indicada para suporte nutricional durante a quimiorradioterapia ou como medida paliativa.
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