Santa Casa de Belo Horizonte (MG) — Prova 2026
Um homem leucodérmico e com idade de 61 anos, etilista e tabagista por mais de 40 anos, emagrecido, mas sem uso de medicamentos, procurou o seu consultório com queixa de dificuldade para engolir alimentos sólidos. Entre os exames solicitados, a endoscopia mostrou uma lesão de quatro centímetros, dois centímetros distalmente ao esfincter esofágico superior. A biópsia confirmou a suspeita de carcinoma espinocelular. Com base apenas nessas informações, entre os itens seguintes, qual o tratamento INDICADO nesse caso?
CEC de esôfago cervical (próximo ao EES) → Tratamento de escolha é Quimiorradioterapia definitiva.
Tumores de esôfago cervical são tratados preferencialmente com radioquimioterapia definitiva para evitar cirurgias extremamente mutilantes (faringolaringoesofagectomia) com resultados oncológicos equivalentes.
O câncer de esôfago cervical representa cerca de 5% de todos os tumores esofágicos. O tipo histológico mais comum é o carcinoma espinocelular (CEC), fortemente associado ao tabagismo e etilismo. Devido à proximidade com estruturas vitais e a complexidade da reconstrução (que muitas vezes exige transposição de cólon ou retalhos microcirúrgicos), o consenso internacional preconiza a radioquimioterapia definitiva como primeira linha. O acompanhamento pós-tratamento envolve endoscopias frequentes e exames de imagem para monitorar a resposta terapêutica.
A ressecção cirúrgica de tumores no esôfago cervical (até 5 cm do esfíncter esofágico superior) exige frequentemente a remoção da laringe e da faringe (faringolaringoesofagectomia), resultando em perda da voz natural e necessidade de traqueostomia definitiva. Como a quimiorradioterapia definitiva apresenta taxas de sobrevida global e controle local semelhantes à cirurgia, ela é preferida por preservar a função fonatória e deglutitória do paciente.
O esquema clássico baseia-se no protocolo Herskovic, utilizando Cisplatina e 5-Fluorouracil (5-FU) associados à radioterapia (geralmente 50.4 Gy). Atualmente, outros esquemas como o CROSS (Carboplatina e Paclitaxel) também são adaptados, embora o CROSS tenha sido validado originalmente para neoadjuvância. O objetivo é a resposta completa sem necessidade de intervenção cirúrgica subsequente.
A cirurgia de resgate é indicada apenas quando há persistência da doença após o término do protocolo de quimiorradioterapia definitiva ou em caso de recorrência local isolada, desde que o paciente tenha condições clínicas para suportar um procedimento de grande porte e não haja evidência de metástases à distância.
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