Tratamento do Carcinoma Espinocelular de Esôfago Cervical

Santa Casa de Belo Horizonte (MG) — Prova 2026

Enunciado

Um homem leucodérmico e com idade de 61 anos, etilista e tabagista por mais de 40 anos, emagrecido, mas sem uso de medicamentos, procurou o seu consultório com queixa de dificuldade para engolir alimentos sólidos. Entre os exames solicitados, a endoscopia mostrou uma lesão de quatro centímetros, dois centímetros distalmente ao esfincter esofágico superior. A biópsia confirmou a suspeita de carcinoma espinocelular. Com base apenas nessas informações, entre os itens seguintes, qual o tratamento INDICADO nesse caso?

Alternativas

  1. A) Neoadjuvância com quimio e radioterapia, seguida de esofagectomia e esofagogastroplastia.
  2. B) Neoadjuvância com quimio e radioterapia, seguida de esofagectomia e esofagocoloplastia.
  3. C) Somente quimioterapia e radioterapia em ciclos completos e sem esofagectomia.
  4. D) Introdução de prótese esofágica por endoscopia para nutrir e depois tratar o paciente.

Pérola Clínica

CEC de esôfago cervical (próximo ao EES) → Tratamento de escolha é Quimiorradioterapia definitiva.

Resumo-Chave

Tumores de esôfago cervical são tratados preferencialmente com radioquimioterapia definitiva para evitar cirurgias extremamente mutilantes (faringolaringoesofagectomia) com resultados oncológicos equivalentes.

Contexto Educacional

O câncer de esôfago cervical representa cerca de 5% de todos os tumores esofágicos. O tipo histológico mais comum é o carcinoma espinocelular (CEC), fortemente associado ao tabagismo e etilismo. Devido à proximidade com estruturas vitais e a complexidade da reconstrução (que muitas vezes exige transposição de cólon ou retalhos microcirúrgicos), o consenso internacional preconiza a radioquimioterapia definitiva como primeira linha. O acompanhamento pós-tratamento envolve endoscopias frequentes e exames de imagem para monitorar a resposta terapêutica.

Perguntas Frequentes

Por que não operar o esôfago cervical inicialmente?

A ressecção cirúrgica de tumores no esôfago cervical (até 5 cm do esfíncter esofágico superior) exige frequentemente a remoção da laringe e da faringe (faringolaringoesofagectomia), resultando em perda da voz natural e necessidade de traqueostomia definitiva. Como a quimiorradioterapia definitiva apresenta taxas de sobrevida global e controle local semelhantes à cirurgia, ela é preferida por preservar a função fonatória e deglutitória do paciente.

Qual o esquema de quimiorradioterapia utilizado?

O esquema clássico baseia-se no protocolo Herskovic, utilizando Cisplatina e 5-Fluorouracil (5-FU) associados à radioterapia (geralmente 50.4 Gy). Atualmente, outros esquemas como o CROSS (Carboplatina e Paclitaxel) também são adaptados, embora o CROSS tenha sido validado originalmente para neoadjuvância. O objetivo é a resposta completa sem necessidade de intervenção cirúrgica subsequente.

Quando a cirurgia de resgate é indicada no CEC cervical?

A cirurgia de resgate é indicada apenas quando há persistência da doença após o término do protocolo de quimiorradioterapia definitiva ou em caso de recorrência local isolada, desde que o paciente tenha condições clínicas para suportar um procedimento de grande porte e não haja evidência de metástases à distância.

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