Hospital Alemão Oswaldo Cruz (SP) — Prova 2020
Paciente, 45 anos, com carcinoma espinocelular de colo uterino e dilatação pielocalicial direita por obstrução ureteral distal. Qual dos seguintes exames apresentará o achado que está associado à obstrução ureteral?
Carcinoma de colo uterino com obstrução ureteral → invasão paramétrial, detectável ao toque retal.
A obstrução ureteral em pacientes com carcinoma de colo uterino é um sinal de doença avançada, geralmente indicando invasão dos paramétrios. O toque retal é crucial para avaliar a extensão lateral do tumor e o comprometimento dos ligamentos uterossacros e paramétrios, o que pode levar à compressão extrínseca do ureter.
O carcinoma espinocelular de colo uterino é uma neoplasia ginecológica comum, e seu estadiamento preciso é fundamental para a escolha do tratamento. A obstrução ureteral, manifestada como dilatação pielocalicial, é uma complicação séria que indica doença localmente avançada, geralmente devido à invasão tumoral dos paramétrios, estruturas que contêm o ureter. A compreensão dessa relação é crucial para o manejo adequado da paciente. A epidemiologia do câncer de colo uterino está fortemente ligada à infecção persistente pelo HPV, sendo mais prevalente em regiões com menor acesso a programas de rastreamento. A detecção precoce através do Papanicolau é a principal estratégia de prevenção secundária. A progressão da doença pode levar à invasão de órgãos adjacentes e estruturas pélvicas, como os ureteres, resultando em hidronefrose e, se não tratada, insuficiência renal. O estadiamento clínico do câncer de colo uterino é realizado pela classificação FIGO (Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia) e baseia-se em exame físico, exames de imagem e biópsias. O toque retal é uma parte indispensável do exame físico, permitindo avaliar a fixação do tumor, o comprometimento dos paramétrios e a invasão da parede retal. Um achado de invasão paramétrial ao toque retal, ou a presença de hidronefrose, classifica a doença como estágio IIIB ou superior, o que geralmente implica em tratamento com quimiorradioterapia concomitante, em vez de cirurgia primária. O prognóstico está diretamente relacionado ao estágio da doença no momento do diagnóstico. O tratamento do câncer de colo uterino varia conforme o estágio, podendo incluir cirurgia (histerectomia radical), radioterapia, quimioterapia ou uma combinação dessas modalidades. Em estágios avançados, como aqueles com obstrução ureteral, a quimiorradioterapia concomitante é a abordagem padrão. O manejo da obstrução ureteral pode envolver a colocação de um cateter duplo J ou nefrostomia percutânea para preservar a função renal. A atenção a esses detalhes no exame físico e na avaliação da extensão da doença é vital para otimizar os resultados e a qualidade de vida das pacientes.
A invasão paramétrial pode ser suspeitada por fixação do colo uterino ao toque vaginal ou retal, nodularidade ou espessamento dos paramétrios. A obstrução ureteral com hidronefrose é um forte indicativo de invasão paramétrial avançada.
O toque retal permite avaliar a extensão posterior do tumor, o envolvimento dos ligamentos uterossacros, a parede retal e os paramétrios. É fundamental para diferenciar estágios IIB (invasão paramétrial) de estágios mais precoces, impactando diretamente a conduta terapêutica.
A dilatação pielocalicial (hidronefrose) em pacientes com câncer de colo uterino geralmente indica obstrução ureteral, que é um sinal de doença localmente avançada, tipicamente estágio IIIB ou superior, devido à invasão dos paramétrios e compressão do ureter.
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