Câncer de Colo FIGO Ib: Conduta Pós-Wertheim com Paramétrios Infiltrados

IOG - Instituto de Olhos de Goiânia — Prova 2022

Enunciado

Paciente de 43 anos de idade apresenta carcinoma espinocelular do colo do útero, estágio FlGO lb. Foi realizada cirurgia de Wertheim-Meigs, com preservação dos ovários. O resultado anatomopatológico da peça mostrou margens vaginais livres, linfonodos negativos e infiltração dos paramétrios laterais por neoplasia, porém com margens cirúrgicas livres de neoplasia. A conduta subsequente deve ser:

Alternativas

  1. A) Ooforectomia bilateral.
  2. B) Quimioterapia adjuvante.
  3. C) Radioterapia pélvica.
  4. D) Exenteração pélvica anterior.
  5. E) Seguimento clínico mensal com citologia e colposcopia.

Pérola Clínica

Câncer de colo FIGO Ib pós-Wertheim com paramétrios infiltrados → radioterapia pélvica adjuvante.

Resumo-Chave

Em casos de carcinoma espinocelular do colo do útero estágio FIGO Ib submetido à cirurgia de Wertheim-Meigs, a infiltração dos paramétrios laterais, mesmo com margens cirúrgicas livres, é um fator de alto risco para recorrência. A conduta subsequente indicada é a radioterapia pélvica adjuvante para reduzir o risco de recidiva local.

Contexto Educacional

O carcinoma espinocelular do colo do útero é uma das neoplasias ginecológicas mais comuns, e seu manejo depende do estadiamento, geralmente determinado pela classificação FIGO. Para estágios iniciais, como FIGO Ib, a histerectomia radical (cirurgia de Wertheim-Meigs) com linfadenectomia pélvica é o tratamento padrão. No entanto, a avaliação anatomopatológica da peça cirúrgica é crucial para identificar fatores de risco que podem indicar a necessidade de terapia adjuvante. A presença de fatores de risco histopatológicos, como margens cirúrgicas positivas, linfonodos pélvicos positivos e invasão paramétrial, mesmo que as margens cirúrgicas macroscópicas estejam livres, aumenta significativamente o risco de recorrência. A infiltração dos paramétrios, que são os tecidos conectivos ao redor do útero, é um indicador de doença mais avançada localmente e requer atenção especial. Nesses casos, a cirurgia isolada pode não ser suficiente para erradicar todas as células tumorais microscópicas. A conduta subsequente para pacientes com carcinoma de colo uterino estágio FIGO Ib que apresentam infiltração paramétrial após histerectomia radical é a radioterapia pélvica adjuvante. A radioterapia visa eliminar células tumorais residuais na pelve, reduzindo o risco de recidiva local. Em situações de alto risco, a quimiorradioterapia concomitante pode ser considerada. É imperativo que os residentes compreendam a importância da avaliação anatomopatológica detalhada e das indicações precisas para a terapia adjuvante, a fim de otimizar os resultados oncológicos para as pacientes.

Perguntas Frequentes

Quais são os fatores de risco histopatológicos que indicam terapia adjuvante após histerectomia radical por câncer de colo uterino?

Os fatores de risco histopatológicos que indicam terapia adjuvante incluem margens cirúrgicas positivas, linfonodos pélvicos positivos e invasão paramétrial. Fatores intermediários como invasão do estroma profundo, invasão linfovascular e tamanho tumoral grande também podem indicar adjuvância.

Qual a diferença entre radioterapia e quimioterapia adjuvante no câncer de colo uterino?

A radioterapia adjuvante é indicada para controle local da doença, especialmente em casos de margens positivas ou invasão paramétrial. A quimioterapia adjuvante, geralmente à base de platina, é usada para tratar doença sistêmica ou em combinação com radioterapia (quimiorradioterapia) em casos de alto risco.

Por que a infiltração dos paramétrios laterais, mesmo com margens livres, é uma indicação para radioterapia pélvica?

A infiltração dos paramétrios laterais, mesmo com margens cirúrgicas livres de neoplasia, é um fator de alto risco para recorrência local. A radioterapia pélvica adjuvante é fundamental para erradicar células tumorais microscópicas remanescentes na região paramétrial e reduzir significativamente o risco de recidiva.

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