Câncer de Colo Uterino Ib2: Estadiamento e Tratamento Cirúrgico

UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2020

Enunciado

Mulher, 35 anos de idade, apresenta sinusorragia. Exame especular: lesão vegetante, friável e sangrante no colo do útero com 3,5 cm de diâmetro. Toque retal: paramétrios livres. Biópsia: carcinoma espinocelular do colo do útero G2. Assinale a alternativa que contém o estadiamento e tratamento corretos:

Alternativas

  1. A) Ib1; cirurgia de Wertheim-Meigs.
  2. B) Ib2; quimiorradioterapia.
  3. C) Ib2; cirurgia de Wertheim-Meigs.
  4. D) Ib3; quimiorradioterapia.
  5. E) Ib3; Wertheim-Meigs.

Pérola Clínica

Carcinoma colo uterino: Lesão > 2 cm e < 4 cm com paramétrios livres = FIGO Ib2. Tratamento = Cirurgia de Wertheim-Meigs.

Resumo-Chave

O estadiamento do câncer de colo uterino é clínico, baseado na classificação FIGO. Uma lesão de 3,5 cm com paramétrios livres se enquadra no estágio Ib2. Para este estágio, a cirurgia de Wertheim-Meigs (histerectomia radical com linfadenectomia pélvica) é o tratamento de escolha.

Contexto Educacional

O carcinoma espinocelular do colo do útero é a forma histológica mais comum de câncer cervical, geralmente associado à infecção persistente pelo Papilomavírus Humano (HPV). A sinusorragia (sangramento após relação sexual) é um sintoma clássico, e a presença de uma lesão vegetante, friável e sangrante no colo uterino é um achado comum ao exame especular. O diagnóstico é confirmado por biópsia. O estadiamento do câncer de colo uterino é clínico e segue a classificação da FIGO, que é crucial para determinar o prognóstico e a conduta terapêutica. O estágio I refere-se a tumores confinados ao colo uterino. Dentro do estágio Ib, o tamanho do tumor é um fator determinante: Ib1 (tumor < 2 cm), Ib2 (tumor de 2 a 4 cm) e Ib3 (tumor > 4 cm). A ausência de invasão dos paramétrios (confirmada por toque retal) é um critério importante para o estágio I e IIA. Para o estágio Ib2, a cirurgia de Wertheim-Meigs, uma histerectomia radical com linfadenectomia pélvica, é o tratamento de escolha. Esta cirurgia visa remover o útero, paramétrios, terço superior da vagina e linfonodos pélvicos. A quimiorradioterapia é reservada para estágios mais avançados (Ib3, IIB em diante) ou como tratamento adjuvante em casos de fatores de risco patológicos pós-cirúrgicos. Residentes devem dominar o estadiamento FIGO e as indicações de tratamento para cada estágio, pois é um tema recorrente em provas e essencial na prática clínica.

Perguntas Frequentes

Como é feito o estadiamento do câncer de colo uterino segundo a FIGO?

O estadiamento do câncer de colo uterino é predominantemente clínico, baseado em exame físico (especular e toque vaginal/retal), biópsia e exames de imagem como ultrassonografia, tomografia e ressonância magnética. A FIGO (Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia) classifica o câncer em estágios I a IV, com subestágios que consideram o tamanho do tumor, invasão de paramétrios, vagina, bexiga, reto e metástases à distância.

O que caracteriza o estágio Ib2 do câncer de colo uterino e qual seu tratamento?

O estágio Ib2 é caracterizado por um tumor visível clinicamente confinado ao colo uterino, com tamanho entre 2 cm e 4 cm de diâmetro, sem invasão de paramétrios ou outras estruturas. O tratamento padrão para o estágio Ib2 é a cirurgia de Wertheim-Meigs (histerectomia radical com linfadenectomia pélvica), que pode ser seguida de radioterapia adjuvante dependendo dos achados patológicos.

Quando a quimiorradioterapia é preferida em vez da cirurgia para câncer de colo uterino?

A quimiorradioterapia é geralmente preferida para tumores maiores (estágio Ib3, >4 cm), tumores com invasão de paramétrios (estágio IIB), ou em estágios mais avançados (III e IV). Também pode ser indicada como tratamento primário em pacientes com comorbidades que contraindiquem a cirurgia ou em casos de margens cirúrgicas comprometidas ou linfonodos positivos após a cirurgia.

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