USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2025
Um paciente de 60 anos, tabagista há mais de 30 anos e etilista crônico, apresenta uma lesão ulcerada indolor na cavidade oral, notada há aproximadamente 5 meses. Durante a avaliação clínica, observa-se que o paciente também apresenta um nódulo endurecido e fixo no pescoço localizado em nível Il à direita (figura). Com base no quadro clínico e considerando que a lesão primária está na cavidade oral, qual é o sítio mais provável de origem do tumor?
Câncer de boca: tabagismo/etilismo + lesão ulcerada indolor + linfonodo cervical = suspeitar de carcinoma espinocelular, borda da língua é sítio comum.
A borda da língua é o sítio mais comum para o carcinoma espinocelular da cavidade oral, especialmente em pacientes com fatores de risco como tabagismo e etilismo. A presença de um linfonodo cervical endurecido e fixo (nível II é comum para lesões orais) sugere metástase.
O carcinoma espinocelular (CEC) da cavidade oral é a neoplasia maligna mais comum da boca, representando cerca de 90% dos cânceres orais. Sua importância clínica reside na alta morbidade e mortalidade se não diagnosticado e tratado precocemente. Os principais fatores de risco são o tabagismo e o etilismo crônico, que atuam sinergicamente, aumentando significativamente o risco. Outros fatores incluem infecção por HPV (especialmente orofaringe), exposição solar excessiva (câncer de lábio) e má higiene oral. A fisiopatologia envolve a exposição crônica das células da mucosa oral a carcinógenos, levando a mutações genéticas e proliferação celular descontrolada. Clinicamente, o CEC oral pode se apresentar como uma úlcera indolor que não cicatriza, uma placa branca (leucoplasia) ou vermelha (eritroplasia) que não desaparece, ou um nódulo endurecido. A borda lateral da língua é o sítio mais comum, seguida pelo assoalho da boca. A suspeita deve ser alta em pacientes com fatores de risco e lesões persistentes por mais de 15-20 dias. O tratamento envolve principalmente cirurgia, radioterapia e/ou quimioterapia, dependendo do estadiamento. O prognóstico está diretamente relacionado ao estadiamento no momento do diagnóstico, sendo a presença de metástases linfonodais cervicais (comuns em nível II) um fator prognóstico negativo. A detecção precoce é fundamental para melhorar as taxas de sobrevida e a qualidade de vida.
Os principais fatores de risco incluem tabagismo, etilismo crônico, exposição solar excessiva (para lábios), infecção por HPV e má higiene oral.
Suspeitar de câncer de boca em lesões ulceradas, endurecidas, indolores, que não cicatrizam em 15-20 dias, especialmente em pacientes com fatores de risco.
O exame dos linfonodos cervicais é crucial para estadiamento e prognóstico, pois a presença de metástases linfonodais (comuns em nível II) indica doença mais avançada.
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