MedEvo Simulado — Prova 2026
Um homem de 42 anos, portador do vírus da imunodeficiência humana (HIV) com histórico de má adesão à terapia antirretroviral (CD4 atual de 220 células/mm³ e carga viral de 45.000 cópias/mL), procura atendimento por dor anal persistente há quatro meses, associada a eliminação de muco e sangue nas fezes. Ao exame físico sob sedação, identifica-se uma lesão ulcerada e infiltrativa, de aproximadamente 3,5 cm de maior diâmetro, localizada no canal anal, estendendo-se acima da linha pectínea. A biópsia confirmou carcinoma espinocelular (CEC) de padrão basaloide. O estadiamento por ressonância magnética de pelve demonstrou invasão da musculatura do esfíncter anal interno e externo, sem atingir órgãos adjacentes, além de linfonodos perirretais e inguinais bilaterais com características suspeitas. Tomografias de tórax e abdome não demonstraram metástases à distância. Diante do quadro clínico e do estadiamento (T2N1M0), qual o tratamento inicial mais adequado?
CEC de canal anal → Quimiorradioterapia (Protocolo de Nigro) é o tratamento padrão ouro.
O tratamento do carcinoma de canal anal visa a preservação do esfíncter através da quimiorradioterapia primária, reservando a cirurgia apenas para casos de falha ou recidiva.
O carcinoma espinocelular (CEC) é o tipo histológico mais comum do canal anal, fortemente associado à infecção pelo HPV, especialmente em pacientes imunossuprimidos como os portadores de HIV. Diferente do câncer de reto baixo, o câncer de canal anal é altamente radiossensível e quimiossensível. O estadiamento T2N1M0 indica um tumor entre 2-5 cm com linfonodos regionais acometidos, o que reforça a necessidade de tratamento sistêmico e locorregional combinado. A introdução do Protocolo de Nigro na década de 70 revolucionou o manejo desta patologia, transformando uma doença que antes exigia colostomia definitiva em quase todos os casos em uma condição tratável com preservação do esfíncter em mais de 70-80% dos pacientes. A cirurgia radical hoje é considerada uma terapia de resgate.
O Protocolo de Nigro consiste na combinação de radioterapia pélvica com quimioterapia baseada em 5-Fluorouracil (5-FU) e Mitomicina C. É o tratamento padrão para o carcinoma espinocelular (CEC) do canal anal, permitindo altas taxas de cura com preservação da função esfincteriana.
Não. Pacientes HIV positivos com níveis adequados de CD4 devem receber o mesmo protocolo de quimiorradioterapia que a população geral. No entanto, eles podem apresentar maior toxicidade cutânea e hematológica, exigindo monitoramento rigoroso e, às vezes, ajuste na intensidade do tratamento se o CD4 estiver muito baixo.
A ressecção abdominoperineal do reto (cirurgia de Miles) é reservada para casos de doença persistente após o término da quimiorradioterapia, recidiva local ou quando o paciente apresenta incontinência anal grave prévia ao tratamento que impede a preservação funcional.
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