SUS-BA - Sistema Único de Saúde da Bahia — Prova 2025
Paciente, sexo masculino, 65 anos de idade, diagnosticado com carcinoma espinocelular de assoalho de boca, está realizando exames de estadiamento. O paciente é tabagista 30 maços/ano e etilista de destilados. Ao exame físico, bom estado geral, corado, apresenta lesão ulcerada no assoalho da boca, medindo cerca de 1,0 cm, dolorosa e com bordas infiltrativas. Em relação aos fatores de risco para o diagnóstico desse paciente, é correto afirmar que:
CEC de boca → Tabaco/Álcool (sinergismo) + HPV 16/18 (alto risco).
O CEC oral tem etiologia multifatorial. O HPV, especialmente os tipos 16 e 18, está fortemente associado à carcinogênese via inativação de proteínas supressoras de tumor como p53 e Rb.
O carcinoma espinocelular (CEC) representa mais de 90% das neoplasias malignas da cavidade oral. A carcinogênese é um processo de múltiplas etapas que envolve o acúmulo de alterações genéticas em genes supressores de tumor e oncogenes. Historicamente, o perfil do paciente era o homem idoso, tabagista e etilista pesado. Entretanto, houve uma mudança epidemiológica com o aumento da incidência em pacientes jovens e não tabagistas, impulsionada pela infecção pelo HPV. O reconhecimento do status do HPV é fundamental, não apenas para o entendimento etiológico, mas também porque influencia o prognóstico e, potencialmente, a desintensificação terapêutica em protocolos de pesquisa clínica.
A infecção pelo Papilomavírus Humano (HPV), particularmente os subtipos de alto risco 16 e 18, está consolidada como um fator de risco independente para o carcinoma espinocelular (CEC) de cabeça e pescoço. Enquanto o CEC tradicional está muito ligado ao tabaco e álcool, o câncer associado ao HPV frequentemente ocorre em pacientes mais jovens e sem exposição a esses carcinógenos. O vírus integra seu DNA ao genoma da célula hospedeira, expressando as oncoproteínas E6 e E7, que inativam as proteínas supressoras de tumor p53 e pRb, respectivamente. Isso leva ao descontrole do ciclo celular e à transformação maligna. Tumores HPV-positivos geralmente apresentam melhor prognóstico e resposta ao tratamento radioterápico.
O tabagismo e o etilismo são os fatores de risco clássicos e mais prevalentes para o câncer de boca. O tabaco contém inúmeros carcinógenos diretos que causam mutações no DNA, especialmente no gene p53. O álcool atua como um solvente, aumentando a permeabilidade da mucosa oral aos carcinógenos do tabaco, além de seu metabólito, o acetaldeído, ser ele próprio carcinogênico. Quando combinados, o álcool e o tabaco possuem um efeito sinérgico, multiplicando o risco de desenvolvimento de neoplasias malignas na cavidade oral e orofaringe em dezenas de vezes em comparação com indivíduos não expostos, tornando a cessação de ambos a principal estratégia de prevenção primária.
O carcinoma espinocelular de assoalho de boca frequentemente se apresenta como uma lesão ulcerada, endurecida, com bordas infiltrativas e fundo necrótico. Pode ser precedido por lesões potencialmente malignas, como a leucoplasia ou eritroplasia. Devido à rica rede linfática da região, o CEC de assoalho de boca tem uma alta propensão para metástases linfonodais cervicais precoces, muitas vezes bilaterais. O diagnóstico definitivo requer biópsia incisional e o estadiamento envolve exames de imagem (TC ou RM) para avaliar a profundidade da invasão e o envolvimento ósseo da mandíbula, além da avaliação clínica rigorosa do pescoço para detecção de linfonodomegalias suspeitas.
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