SUS-BA - Sistema Único de Saúde da Bahia — Prova 2023
Paciente, sexo masculino, 60 anos de idade, procura o médico da família com queixa de ferida em mucosa oral há um mês. Relata, também, o surgimento de nódulo em região cervical direita, neste mesmo período. O paciente é etilista e tabagista de 20 cigarros por dia, há 40 anos. Ao exame físico, bom estado geral, presença de ferida ulcerada em mucosa sublingual, medindo cerca de 2cm; palpado nódulo em região cervical posterior à direita, medindo cerca de 1,5cm; ausculta cardíaca e respiratória sem alterações; abdome plano, flácido e indolor à palpação.Diante desse caso clínico, indique a principal suspeita etiológica para a ferida em mucosa oral.
Úlcera oral >15 dias + tabagismo/etilismo + linfonodo cervical → Suspeitar de CEC.
O carcinoma espinocelular (CEC) representa a vasta maioria das neoplasias malignas orais, sendo o tabagismo e o etilismo os principais fatores de risco sinérgicos.
O carcinoma espinocelular (CEC) de boca é uma patologia de alta relevância epidemiológica, especialmente em homens acima de 50 anos com hábitos tabagistas e etilistas. A localização sublingual é comum e apresenta alto potencial de disseminação linfática para as cadeias cervicais devido à rica rede de drenagem da região. O diagnóstico precoce é o fator prognóstico mais importante, permitindo tratamentos menos mutilantes e melhores taxas de sobrevida. Clinicamente, o CEC pode se apresentar como uma úlcera de bordos endurecidos e evertidos, muitas vezes indolor em estágios iniciais, o que retarda a procura médica. A presença de linfonodopatia cervical, como no caso clínico apresentado, sugere doença regionalmente avançada. O médico de família e o dentista desempenham papéis cruciais no rastreamento e encaminhamento ágil desses pacientes para centros especializados em oncologia de cabeça e pescoço.
Os sinais de alerta incluem úlceras que não cicatrizam em 15 dias, manchas vermelhas ou esbranquiçadas (eritroplasias ou leucoplasias), nódulos persistentes na boca ou no pescoço, e dificuldade para falar ou deglutir. Em pacientes com histórico de tabagismo e etilismo, qualquer lesão vegetante ou ulcerada deve ser biopsiada precocemente para excluir carcinoma espinocelular, que é o tipo histológico mais prevalente na região oral. A dor nem sempre está presente nas fases iniciais, o que pode retardar o diagnóstico se o paciente não for examinado minuciosamente.
O tabagismo e o etilismo possuem um efeito sinérgico potente no desenvolvimento do câncer oral. O álcool atua como um solvente, facilitando a penetração dos carcinógenos do tabaco na mucosa oral, além de comprometer os mecanismos de reparo do DNA e o metabolismo hepático de substâncias tóxicas. Pacientes que utilizam ambos possuem um risco significativamente maior (até 30 vezes mais) do que indivíduos que não utilizam nenhuma das substâncias. A cessação desses hábitos é a principal medida de prevenção primária e reduz o risco de segundos tumores primários.
A conduta padrão-ouro é a realização de biópsia incisional da lesão para análise histopatológica. O exame clínico deve avaliar a localização, tamanho, infiltração de tecidos profundos e a presença de linfonodopatia cervical. O estadiamento clínico (TNM) é fundamental para definir a estratégia terapêutica, que geralmente envolve cirurgia com margens livres e, frequentemente, o esvaziamento cervical. Dependendo da extensão da doença e do comprometimento linfonodal ou margens comprometidas, a radioterapia e quimioterapia adjuvante podem ser indicadas para melhorar o controle regional.
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