Santa Casa de Belo Horizonte (MG) — Prova 2026
Uma senhora leucodérmica, de 66 anos, procurou o serviço proctológico por perceber a presença de uma lesão anal esquerda. Ela não era dolorosa, não interferia com a defecação, que era normal, e sangrava eventualmente em quantidade pequena. Ao exame físico, a lesão tinha aspecto vegetante e media cerca de 45mm. Feita biópsia incisional, o diagnóstico foi de carcinoma espinocelular anal. Tendo em vista que esse câncer metastatiza, onde são encontradas, inicialmente, as suas metástases?
Câncer de canal anal (abaixo da linha pectínea) → Metástase inicial para linfonodos inguinais.
A drenagem linfática do canal anal distal (abaixo da linha pectínea) ocorre preferencialmente para os linfonodos inguinais superficiais, definindo o estadiamento nodal inicial.
O carcinoma espinocelular (CEC) é o tipo histológico mais comum do canal anal, com forte associação etiológica com a infecção pelo HPV. O conhecimento da anatomia linfática é o pilar para o estadiamento e tratamento oncológico adequado. Enquanto tumores acima da linha pectínea drenam para linfonodos ilíacos internos e pré-sacrais, as lesões da margem anal e canal anal distal disseminam-se para os linfonodos inguinais. O tratamento com o Protocolo de Nigro revolucionou o manejo, permitindo altas taxas de cura com preservação esfincteriana, sendo a avaliação linfonodal inguinal parte integrante do planejamento da radioterapia.
O canal anal distal e a margem anal derivam do ectoderma e possuem drenagem linfática que acompanha os vasos pudendos externos em direção aos linfonodos inguinais superficiais. Isso difere do reto e canal anal superior, que drenam para cadeias pélvicas e para-aórticas.
A palpação e a avaliação por imagem (USG ou TC) de linfonodos inguinais são cruciais para o estadiamento (N). A presença de metástases inguinais altera o planejamento radioterápico, exigindo a inclusão dessas cadeias no campo de tratamento, e impacta o prognóstico.
O tratamento de escolha para o CEC do canal anal é a quimiorradioterapia exclusiva (Protocolo de Nigro), utilizando 5-FU e Mitomicina C. A cirurgia radical (amputação abdominoperineal) é reservada apenas para casos de doença persistente ou recidiva local.
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