Carcinoma Espinocelular Anal: Diagnóstico e Tratamento Curativo

UFMT/HUJM - Hospital Universitário Júlio Müller - Cuiabá (MT) — Prova 2020

Enunciado

Um paciente de 28 anos é encaminhado do ambulatório de infectologia, no qual é acompanhado devido a diagnóstico de HIV, em uso regular de terapia antirretroviral, para o ambulatório de coloproctologia devido a queixa de dor em região anal associada a sangramento às evacuações. Ao exame proctológico, apresenta lesão ulcerada de aproximadamente 2,5 cm, em região anal com bordos endurecidos e irregulares. Foi então submetido à biópsia incisional cujo resultado evidenciou tratar-se de neoplasia maligna e os exames de estadiamento não mostraram doença a distância. Sobre o caso em tela, assinale a afirmativa correta.

Alternativas

  1. A) O tipo histológico mais comum é o adenocarcinoma e o tratamento preconizado deve se iniciar com quimioterapia neoadjuvante seguida de tratamento cirúrgico.
  2. B) O tipo histológico mais comum é o carcinoma espinocelular e o tratamento preconizado deve ser iniciado com radioterapia e quimioterapia com intuito curativo.
  3. C) O tipo histológico mais comum é o carcinoma espinocelular e o tratamento preconizado deve ser iniciado com radio e quimioterapia com intuito neoadjuvante seguido de tratamento cirúrgico.
  4. D) O tipo histológico mais comum é o adenocarcinoma e o tratamento preconizado deve se iniciar com quimioterapia e radioterapia com intuito curativo.

Pérola Clínica

Câncer anal em HIV+ → carcinoma espinocelular (CEC) + quimiorradioterapia curativa.

Resumo-Chave

Em pacientes HIV positivos, o carcinoma espinocelular (CEC) é o tipo histológico mais comum de câncer anal, fortemente associado ao HPV. O tratamento padrão para CEC anal localizado é a quimiorradioterapia concomitante com intenção curativa, evitando-se a cirurgia radical sempre que possível para preservar a função esfincteriana.

Contexto Educacional

O câncer anal é uma neoplasia relativamente rara, mas sua incidência tem aumentado, especialmente em populações de risco, como pacientes infectados pelo HIV. A associação com o Vírus do Papiloma Humano (HPV) é um fator etiológico crucial, e a imunossupressão em pacientes HIV positivos potencializa o risco de desenvolvimento e progressão da doença. O reconhecimento precoce e a abordagem terapêutica adequada são fundamentais para o prognóstico. O tipo histológico mais comum de câncer anal é o carcinoma espinocelular (CEC), responsável por cerca de 80-90% dos casos. Diferentemente do adenocarcinoma retal, o CEC anal surge do epitélio escamoso da região anal. A apresentação clínica pode incluir dor anal, sangramento, prurido, massa palpável e alteração do hábito intestinal. O diagnóstico é confirmado por biópsia, e o estadiamento é essencial para guiar o tratamento. Para o carcinoma espinocelular anal localizado, o tratamento de escolha é a quimiorradioterapia concomitante, com intenção curativa. Este regime, que combina radioterapia e quimioterapia (geralmente com 5-fluorouracil e mitomicina C ou cisplatina), tem altas taxas de sucesso e permite a preservação do esfíncter anal, evitando a colostomia permanente. A cirurgia é reservada para casos de doença residual ou recidiva após a quimiorradioterapia.

Perguntas Frequentes

Qual o tipo histológico mais comum de câncer anal, especialmente em pacientes HIV positivos?

O tipo histológico mais comum de câncer anal, especialmente em pacientes HIV positivos, é o carcinoma espinocelular (CEC), que está fortemente associado à infecção pelo Vírus do Papiloma Humano (HPV).

Qual é o tratamento padrão para o carcinoma espinocelular anal localizado?

O tratamento padrão para o carcinoma espinocelular anal localizado é a quimiorradioterapia concomitante, que combina radioterapia e quimioterapia (geralmente com 5-fluorouracil e mitomicina C ou cisplatina) com intenção curativa, buscando preservar o esfíncter anal.

Qual a relação entre HIV, HPV e câncer anal?

Pacientes HIV positivos têm um risco significativamente aumentado de desenvolver câncer anal devido à imunossupressão, que favorece a persistência e progressão da infecção pelo HPV, o principal fator etiológico para o carcinoma espinocelular anal.

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