Carcinoma Espinocelular: Reconhecendo a Úlcera de Marjolin

CMC - Fundação Centro Médico de Campinas (SP) — Prova 2024

Enunciado

Paciente masculino, 65 anos, procura atendimento após surgimento de lesão em antebraço esquerdo de início há 8 meses, de crescimento progressivo, que evoluiu com ulceração nas últimas semanas, associado à piora da dor. Tem história de lesão neste mesmo local há 30 anos, durante um acidente de trabalho por álcali. Assinale a principal hipótese diagnóstica.

Alternativas

  1. A) Úlcera de Cushing.
  2. B) Carcinoma espinocelular.
  3. C) Leishmaniose cutânea.
  4. D) Ceratite actínica.

Pérola Clínica

Lesão cutânea ulcerada em cicatriz crônica (queimadura, trauma) → suspeitar de Carcinoma Espinocelular (Úlcera de Marjolin).

Resumo-Chave

O carcinoma espinocelular (CEC) pode surgir em áreas de pele previamente danificadas por processos inflamatórios crônicos, como cicatrizes de queimaduras antigas, úlceras crônicas ou fístulas. Essa apresentação é conhecida como Úlcera de Marjolin e é caracterizada por um curso agressivo, crescimento progressivo e potencial metastático.

Contexto Educacional

O carcinoma espinocelular (CEC) é o segundo tipo mais comum de câncer de pele não melanoma, com incidência crescente. Embora frequentemente associado à exposição solar crônica, uma forma particular e clinicamente importante é a Úlcera de Marjolin, que se desenvolve em áreas de pele previamente lesadas por traumas, queimaduras ou inflamações crônicas. A compreensão da etiologia e dos fatores de risco é crucial para a suspeita diagnóstica. A fisiopatologia do CEC envolve a proliferação descontrolada de queratinócitos atípicos na epiderme. No contexto da Úlcera de Marjolin, a inflamação crônica e a cicatrização aberrante em tecidos danificados podem induzir transformações malignas. Clinicamente, o CEC se manifesta como uma lesão de crescimento progressivo, que pode ser nodular, ulcerada, verrucosa ou infiltrativa, muitas vezes com sangramento e dor. O diagnóstico diferencial inclui outras lesões ulceradas, como infecções crônicas ou úlceras de pressão, mas a história de lesão prévia e o crescimento progressivo são alertas importantes. O tratamento do carcinoma espinocelular é primariamente cirúrgico, com excisão completa da lesão e margens de segurança adequadas. Em casos de Úlcera de Marjolin, devido à sua agressividade, a excisão deve ser mais ampla e o acompanhamento mais rigoroso, considerando a maior taxa de recorrência e metástase. Outras modalidades terapêuticas, como radioterapia ou quimioterapia, podem ser indicadas para casos avançados ou metastáticos. Residentes devem estar aptos a reconhecer essas lesões precocemente para garantir um manejo adequado e melhorar o prognóstico do paciente.

Perguntas Frequentes

O que é a Úlcera de Marjolin?

A Úlcera de Marjolin é uma forma agressiva de carcinoma espinocelular que se desenvolve em cicatrizes crônicas, úlceras de estase, fístulas ou áreas de inflamação crônica, como queimaduras antigas. É caracterizada por um longo período de latência e um comportamento biológico mais agressivo.

Quais são os fatores de risco para carcinoma espinocelular?

Os principais fatores de risco para carcinoma espinocelular incluem exposição crônica à radiação ultravioleta, pele clara, imunossupressão, infecção por HPV, exposição a produtos químicos carcinogênicos e, como no caso da Úlcera de Marjolin, lesões cutâneas crônicas e cicatrizes antigas.

Como é feito o diagnóstico de carcinoma espinocelular?

O diagnóstico de carcinoma espinocelular é feito por biópsia da lesão, que permite a análise histopatológica. Clinicamente, a lesão pode apresentar-se como uma pápula, nódulo, placa eritematosa ou úlcera de crescimento progressivo, muitas vezes com bordas elevadas e endurecidas.

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