Carcinoma Espinocelular: Diagnóstico em Imunossuprimidos

Santa Casa de São Carlos (SP) — Prova 2023

Enunciado

Paciente feminina, 52 anos, procura atendimento em atenção básica queixando-se de "ferida no peito há 4 meses". Relata que há aproximadamente 4 meses apresentou hiperemia na região anterior do tórax, sem melhora ao tratamento tópico com dexametasona e antialérgicos. Houve piora da lesão com aumento de tamanho, espessamento da pele com algumas áreas de descamação e ulceração. Nega trauma local. Nega saída de secreção. É hipertensa, obesa, diabética tipo II e portadora de retocolite ulcerativa. Faz uso regular de enalapril, anlodipino, metformina e azatioprina há 15 anos. Ao exame físico: lesão em região anterior do tórax, na face esternal, com área de pele espessada, hiperemiada e descamativa, associada a pequena úlcera com áreas irregulares. (figura abaixo); A principal hipótese diagnóstica é:

Alternativas

  1. A) Carcinoma espinocelular.
  2. B) Esclerodermia.
  3. C) Melanoma invasivo.
  4. D) Rabdomiossarcoma.

Pérola Clínica

Lesão cutânea ulcerada crônica + imunossupressão (azatioprina) → alta suspeita de Carcinoma Espinocelular.

Resumo-Chave

A presença de uma lesão cutânea persistente, com características de espessamento, descamação e ulceração, em uma paciente imunossuprimida (uso de azatioprina para retocolite ulcerativa), aumenta significativamente a suspeita de carcinoma espinocelular. A imunossupressão é um fator de risco bem estabelecido para câncer de pele não melanoma.

Contexto Educacional

O carcinoma espinocelular (CEC) é o segundo tipo mais comum de câncer de pele não melanoma, com uma incidência crescente. Sua importância clínica reside na capacidade de metástase, embora menos frequente que o melanoma, e na morbidade associada a lesões localmente avançadas. Pacientes imunossuprimidos representam um grupo de alto risco, onde o CEC tende a ser mais agressivo e de pior prognóstico. A fisiopatologia do CEC envolve a proliferação descontrolada de queratinócitos atípicos. Em pacientes imunossuprimidos, como os que usam azatioprina para doenças autoimunes como a retocolite ulcerativa, a vigilância imunológica contra células pré-malignas é comprometida, e a azatioprina em si tem propriedades fotossensibilizantes e genotóxicas, aumentando o risco. O diagnóstico é suspeitado clinicamente por lesões persistentes, ulceradas, que não cicatrizam, e confirmado por biópsia. O tratamento do CEC varia conforme o estágio, mas a excisão cirúrgica é a modalidade principal. Em imunossuprimidos, a vigilância deve ser mais rigorosa e o tratamento, mais agressivo. O prognóstico depende da detecção precoce e da ausência de metástases. Pontos de atenção incluem a necessidade de rastreamento regular em pacientes de risco e a consideração de CEC em qualquer lesão cutânea atípica ou persistente nesse grupo.

Perguntas Frequentes

Quais são os fatores de risco para carcinoma espinocelular?

Os principais fatores de risco incluem exposição solar crônica, pele clara, idade avançada, lesões pré-cancerígenas (queratose actínica) e, notavelmente, estados de imunossupressão, como o uso de azatioprina.

Como a imunossupressão aumenta o risco de câncer de pele?

A imunossupressão, especialmente com drogas como a azatioprina, compromete a vigilância imunológica contra células neoplásicas e a reparação do DNA, facilitando o desenvolvimento e a progressão de carcinomas cutâneos, principalmente o espinocelular.

Quais as características clínicas de um carcinoma espinocelular?

Clinicamente, o carcinoma espinocelular pode se apresentar como uma pápula ou placa eritematosa, descamativa, com superfície áspera, que pode evoluir para nódulo ulcerado, crostoso e infiltrado, com bordas elevadas e irregulares.

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