FAMENE - Faculdade de Medicina Nova Esperança (PB) — Prova 2024
Paciente de 50 anos, tabagista, sem outras comorbidades, previamente hígido, fez endoscopia digestiva alta revelando uma lesão vegetante do esôfago, de 3cm, situada a aproximadamente 30cm da arcada dentária superior, cuja biópsia demonstrou tratar-se de carcinoma de células escamosas. A ecoendoscopia revelou invasão da camada muscular, sem linfoadenomegalias mediastinais. As tomografias de tórax e abdômen foram normais. Qual o tratamento considerado mais adequado para este caso?
Carcinoma escamoso esôfago médio T2N0M0 → esofagectomia transtorácica (três campos) para ressecção curativa e linfadenectomia.
Para carcinoma de células escamosas do esôfago médio, com invasão da camada muscular (T2) e sem linfonodos ou metástases (N0M0), a esofagectomia transtorácica com linfadenectomia de três campos é considerada o tratamento cirúrgico mais adequado para fins curativos. Embora a radioquimioterapia neoadjuvante seja uma opção crescente, a cirurgia radical é fundamental para a ressecção completa da lesão e dos linfonodos regionais.
O carcinoma de células escamosas do esôfago é uma neoplasia agressiva, e seu manejo exige um estadiamento preciso e uma abordagem terapêutica multidisciplinar. A localização do tumor (esôfago médio) e o tipo histológico (células escamosas) são fatores importantes na escolha do tratamento. Para residentes, compreender as opções terapêuticas baseadas no estadiamento é crucial para a prática oncológica. No caso apresentado, o tumor é um carcinoma de células escamosas de 3cm, invadindo a camada muscular (T2), sem linfonodos acometidos (N0) e sem metástases (M0). Para este estágio, a cirurgia com intenção curativa é uma das principais opções. A esofagectomia transtorácica (três campos) é a abordagem cirúrgica mais radical e completa para tumores do esôfago médio, permitindo uma ressecção oncológica adequada com ampla linfadenectomia mediastinal e abdominal, o que é fundamental para o prognóstico. Embora a radioquimioterapia neoadjuvante seguida de cirurgia seja uma estratégia cada vez mais utilizada e muitas vezes preferida para tumores T2N0, especialmente para carcinoma de células escamosas, a esofagectomia transtorácica isolada ainda é uma opção válida para casos selecionados, especialmente se o tumor é pequeno e o paciente tem bom status de performance. A escolha final depende de fatores individuais do paciente, da equipe multidisciplinar e das diretrizes institucionais, mas a cirurgia radical permanece a pedra angular do tratamento curativo para doença localizada.
O estadiamento preciso é fundamental para determinar o tratamento mais adequado do câncer de esôfago. Ele define a extensão da doença (tamanho do tumor, invasão de camadas, envolvimento linfonodal e metástases à distância), orientando se o paciente é candidato a cirurgia, terapia neoadjuvante, quimioterapia exclusiva ou radioterapia paliativa.
A mucosectomia endoscópica é uma opção curativa para o câncer de esôfago em estágios muito iniciais, especificamente para tumores T1a (restritos à mucosa) sem evidência de invasão linfovascular ou linfonodos. Para lesões que invadem a submucosa (T1b) ou mais profundamente, a cirurgia ou terapia neoadjuvante são geralmente necessárias.
A esofagectomia transtorácica (três campos) permite uma ressecção mais ampla do esôfago e uma linfadenectomia mais extensa (cervical, mediastinal e abdominal), o que é crucial para o controle oncológico do carcinoma de células escamosas do esôfago médio. Embora mais invasiva, oferece as melhores taxas de ressecção R0 (margens livres) e sobrevida em casos selecionados.
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