Santa Casa de Marília (SP) — Prova 2019
Mulher de 85 anos de idade queixa-se de prurido vulvar intermitente, há mais de três anos, que piorou nos últimos meses. Ao exame, observase pequena lesão ulcerada de 1 cm no grande lábio direito. Pela frequência, espera-se encontrar em exame histológico:
Prurido vulvar crônico + lesão ulcerada em idosa → alta suspeita de Carcinoma Escamoso de Vulva.
O prurido vulvar persistente, especialmente em mulheres idosas, é um sintoma alarmante que frequentemente precede o diagnóstico de neoplasias vulvares. A presença de uma lesão ulcerada, mesmo que pequena, reforça a necessidade de biópsia para confirmação histológica, sendo o carcinoma escamoso o tipo mais comum de câncer de vulva.
O carcinoma escamoso de vulva é a neoplasia maligna mais comum da vulva, representando cerca de 90% dos casos. É mais prevalente em mulheres idosas, com um pico de incidência entre 60 e 80 anos. A apresentação clínica clássica envolve prurido vulvar persistente, que pode durar anos antes do diagnóstico, e a presença de uma lesão visível, que pode ser ulcerada, exofítica ou verrucosa. A demora no diagnóstico é comum devido à inespecificidade dos sintomas iniciais e à relutância das pacientes em procurar atendimento. A fisiopatologia do carcinoma escamoso de vulva pode estar relacionada à infecção por HPV (em pacientes mais jovens) ou a condições inflamatórias crônicas como o líquen escleroso (em pacientes mais velhas). O diagnóstico é feito através de biópsia da lesão suspeita, que é essencial para a confirmação histopatológica. Qualquer lesão vulvar persistente, especialmente em mulheres idosas com prurido crônico, deve ser investigada. O tratamento do carcinoma escamoso de vulva é primariamente cirúrgico, com ressecção da lesão e, dependendo do estágio, linfadenectomia inguinal. Radioterapia e quimioterapia podem ser utilizadas em casos avançados ou como adjuvância. O prognóstico está diretamente relacionado ao estágio da doença no momento do diagnóstico, reforçando a importância da detecção precoce. Residentes devem estar atentos a queixas vulvares persistentes, especialmente em idosas, para não atrasar o diagnóstico e melhorar os desfechos.
Os sinais e sintomas mais comuns incluem prurido vulvar persistente, dor, sangramento, presença de massa ou nódulo, e lesões ulceradas ou verrucosas na vulva. Em idosas, o prurido crônico é um sintoma frequente e deve levantar suspeita.
A biópsia é fundamental para o diagnóstico definitivo de lesões vulvares suspeitas. Ela permite a análise histopatológica para determinar a natureza da lesão (benigna, pré-maligna ou maligna) e o tipo específico de câncer, orientando o tratamento adequado.
Os principais fatores de risco incluem idade avançada, infecção persistente por HPV (especialmente tipos 16 e 18), líquen escleroso, tabagismo, imunossupressão e história de neoplasia intraepitelial vulvar (NIV) ou cervical.
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