UFRJ/HUCFF - Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (RJ) — Prova 2024
Mulher, 54 anos, apresenta excelente capacidade funcional. Apesar de não ter queixa de disfagia, realizou-se uma EDA com detecção de lesão em esófago médio. Exame histopatológico da lesão: carcinoma escamoso do esôfago. TC do tórax: espessamento parietal do esôfago médio abaixo da carina, com 3,0 cm de extensão, sem sinais de acometimento de órgãos adjacentes. Após todo o estadiamento, obteve-se a classificação cT3N0M0. Pode-se afirmar que o tratamento que proporcionará melhora da sobrevida é:
Esôfago T3 ou N+ → Quimiorradioterapia neoadjuvante (CROSS) + Cirurgia = ↑ Sobrevida.
Para carcinomas de esôfago localmente avançados (T3/T4 ou N+), a terapia trimodal com quimiorradioterapia neoadjuvante seguida de esofagectomia é o padrão-ouro para ganho de sobrevida global.
O câncer de esôfago, especialmente o carcinoma de células escamosas (CEC), apresenta um comportamento agressivo com disseminação linfática precoce. O estadiamento preciso é fundamental, utilizando TC de tórax/abdome, PET-CT e, idealmente, ecoendoscopia para avaliar a profundidade da invasão parietal (T) e o status linfonodal (N). Para tumores localmente avançados (T3/T4 ou N+), a evidência clínica consolidada pelo protocolo CROSS (Carboplatina/Paclitaxel + 41.4 Gy) mostra superioridade da neoadjuvância. A abordagem perioperatória mencionada na questão refere-se à integração da terapia sistêmica ao ato cirúrgico. Embora o termo 'perioperatório' seja mais comum em adenocarcinomas de transição esofagogástrica (como no protocolo FLOT), no contexto da questão e do CEC de esôfago médio, ele aponta para a necessidade de quimiorradioterapia associada à cirurgia para maximizar a sobrevida do paciente cT3N0M0, contrastando com a baixa eficácia da cirurgia isolada nesses casos.
A quimiorradioterapia neoadjuvante, baseada principalmente no estudo CROSS, demonstrou aumentar significativamente a taxa de ressecção R0 e a sobrevida global em pacientes com carcinoma escamoso e adenocarcinoma localmente avançados. Ela atua reduzindo o volume tumoral (downstaging) e tratando micrometástases precocemente, o que diminui as taxas de recorrência local e sistêmica em comparação com a cirurgia isolada.
A esofagectomia isolada é geralmente reservada para tumores em estágios muito precoces, como T1N0. Tumores T1a podem ser tratados por ressecção endoscópica, enquanto T1b pode exigir cirurgia. A partir do estágio T2 (dependendo de fatores de risco) ou presença de linfonodos positivos (N+), a abordagem multimodal com neoadjuvância torna-se mandatória para otimizar os desfechos oncológicos.
O estágio cT3 é definido pela invasão do tumor na camada adventícia do esôfago, sem ultrapassar as estruturas adjacentes (como aorta ou árvore traqueobronquial). O diagnóstico é feito geralmente por ecoendoscopia (mais acurada para T) e tomografia computadorizada. Nesse estágio, o risco de metástases linfonodais ocultas é alto, justificando o tratamento sistêmico e radioterápico prévio à ressecção cirúrgica.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo