UFG/HC - Hospital das Clínicas da UFG - Goiânia (GO) — Prova 2015
Mulher de 46 anos tem apresentado sangramento pós-coito há um ano. Sua menarca foi aos 11 anos e teve 12 parceiros sexuais durante toda a vida. Atualmente, continua tendo ciclos menstruais regulares, sem sangramento intermenstrual anormal. No exame ginecológico foi evidenciada, por visão direta, uma área extensa, elevada e eritematosa que compromete o lábio posterior e invade o canal endocervical. O exame citopatológico revelou neoplasia escamosa intraepitelial de alto grau/carcinoma in situ, não podendo afastar microinvasão. Intempestivamente, foi realizada conização convencional. Considerando o quadro clinicoepidemiológico, o diagnóstico histopatológico esperado é:
Sangramento pós-coito + lesão cervical visível + citopatológico alto grau + não afasta microinvasão → Carcinoma invasor.
O sangramento pós-coito é um sinal de alerta para lesões cervicais, especialmente em mulheres com múltiplos parceiros sexuais. A presença de uma lesão extensa e elevada, junto a um citopatológico de alto grau que não afasta microinvasão, sugere fortemente um carcinoma escamoso francamente invasor, mesmo antes da conização.
O carcinoma escamoso do colo uterino é uma neoplasia maligna que se desenvolve a partir das células escamosas do epitélio cervical, sendo a infecção persistente pelo Papilomavírus Humano (HPV) o principal fator etiológico. A doença é a quarta causa de câncer em mulheres no mundo, e o sangramento pós-coito é um sintoma clássico de lesão avançada ou invasora, indicando a necessidade de investigação imediata. O diagnóstico envolve a combinação de achados clínicos (sangramento, lesão visível), citopatológicos (Papanicolau com neoplasia intraepitelial de alto grau ou carcinoma in situ) e histopatológicos (biópsia ou conização). A expressão 'não podendo afastar microinvasão' no citopatológico é um alerta crítico, pois sugere que, embora a lesão seja predominantemente in situ, há características que levantam a suspeita de que as células neoplásicas já ultrapassaram a membrana basal, caracterizando uma microinvasão ou até mesmo uma invasão mais profunda. A conização é um procedimento diagnóstico e terapêutico que remove uma porção cônica do colo uterino para análise histopatológica. Neste caso, com um quadro clínico-epidemiológico tão sugestivo e a suspeita de microinvasão, o diagnóstico histopatológico esperado após a conização seria de um carcinoma escamoso francamente invasor, confirmando a progressão da doença além dos estágios pré-invasores. O manejo subsequente dependerá do estadiamento da doença.
Os principais sinais incluem sangramento vaginal anormal (pós-coito, intermenstrual, pós-menopausa), dor pélvica e corrimento vaginal com odor fétido. A detecção precoce é crucial para o prognóstico.
Essa descrição indica uma lesão pré-invasora grave (NIC III/carcinoma in situ) com características que levantam a suspeita de invasão inicial, exigindo investigação histopatológica mais aprofundada, como a conização, para confirmar ou afastar a invasão.
O principal fator de risco é a infecção persistente por subtipos oncogênicos do Papilomavírus Humano (HPV), além de múltiplos parceiros sexuais, tabagismo, imunossupressão e início precoce da atividade sexual.
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