IDOR - Instituto D'Or de Pesquisa e Ensino - Rede D'Or (RJ) — Prova 2026
Paciente de 56 anos é atendida por quadro de sangramento e dor perianal persistente há aproximadamente 2 meses. Relata pequena quantidade de sangue vermelho vivo nas fezes, o que atribuiu a hemorroidas. Todavia, o sangramento aumentou em frequência e intensidade, passando a ser acompanhado por dor contínua na região anal. A paciente relata ainda constipação com fezes em fita. Refere ser tabagista há 30 anos. Ao exame físico, apresenta lesão ulcerada e vegetante na borda anal, com 3 cm de diâmetro, sendo endurecida e de contornos irregulares. A biópsia da lesão confirma, ao exame histopatológico, um carcinoma escamoso. A etiologia mais comum desse tipo de câncer está relacionada à:
Carcinoma escamoso anal → Fortemente associado à infecção pelo HPV (sorotipos 16 e 18).
O carcinoma de células escamosas (CEC) do canal anal tem o HPV como principal fator etiológico em mais de 90% dos casos, superando outros fatores como o tabagismo.
O carcinoma escamoso (ou epidermoide) é o tipo histológico mais comum de câncer do canal anal. Sua patogênese está intimamente ligada à infecção persistente por subtipos oncogênicos do HPV, de forma análoga ao câncer de colo de útero. O tabagismo, citado no caso clínico, atua como um cofator importante que potencializa o risco de malignização. Clinicamente, o diagnóstico costuma ser tardio porque os sintomas iniciais mimetizam patologias benignas como hemorroidas ou fissuras. A presença de fezes em fita e dor contínua são sinais de alerta para processos expansivos no canal anal. O tratamento padrão para o carcinoma escamoso anal não é cirúrgico na maioria dos casos, mas sim a quimiorradioterapia (Protocolo de Nigro), reservando-se a cirurgia (amputação abdominoperineal do reto) para casos de falha ou recidiva.
A infecção pelo Papilomavírus Humano (HPV), especialmente os tipos de alto risco oncogênico como 16 e 18, é o principal fator causal do carcinoma escamoso anal. O vírus integra seu DNA ao genoma da célula hospedeira, expressando as oncoproteínas E6 e E7, que inativam genes supressores de tumor como p53 e Rb, levando à proliferação celular descontrolada e malignização. Grupos de risco incluem pacientes HIV positivos, homens que fazem sexo com homens e mulheres com histórico de neoplasia cervical.
Os sintomas mais comuns incluem sangramento anal (frequentemente confundido com doença hemorroidária), dor perianal persistente, sensação de massa ou corpo estranho, prurido e alteração do hábito intestinal, como fezes em fita devido à obstrução parcial do canal anal. A presença de uma lesão ulcerada, endurecida e vegetante ao exame físico é altamente suspeita e exige biópsia imediata para confirmação histopatológica.
O diagnóstico definitivo é histopatológico, obtido através da biópsia da lesão suspeita. Durante o exame físico, a inspeção da borda anal e o toque retal são fundamentais para avaliar a extensão e consistência da massa. Após a confirmação de carcinoma escamoso, o estadiamento deve ser realizado com exames de imagem, como ressonância magnética de pelve e tomografia de tórax e abdome, para avaliar invasão local e metástases a distância.
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