TECM Teórica - Prova Teórica de Clínica Médica — Prova 2021
Considere um homem, 65 anos de idade, diabético em uso de hipoglicemiante oral, tabagista, cerca de 20 cigarros desde os 17 anos de idade. Relata tosse produtiva, afebril, perda de apetite e emagrecimento nos últimos dois anos. Raio X de tórax apresenta massa em brônquio principal direito. Histologia apresentada na figura a seguir. Presença de células poligonais com estratificação, citoplasma abundante e presença de eosinófilo. Nota-se perolas córneas, células queratinizadas isoladas e pontes intercelulares. Histologia do paciente: Nesse caso, qual é o provável diagnóstico?
Massa central + tabagismo + pérolas córneas/pontes intercelulares = Carcinoma Epidermoide.
O carcinoma epidermoide é um subtipo de câncer de pulmão não pequenas células (CPNPC) com forte associação ao tabagismo e localização tipicamente central/endobrônquica.
O carcinoma epidermoide (ou escamoso) representa cerca de 20-30% dos casos de câncer de pulmão. Sua patogênese está intimamente ligada à exposição a carcinógenos do tabaco, que promovem uma transformação progressiva do epitélio respiratório ciliado em epitélio escamoso estratificado. Clinicamente, pacientes costumam apresentar sintomas de irritação brônquica, como tosse e hemoptise, além de perda ponderal significativa. Na prática médica, a identificação de massas centrais em pacientes tabagistas idosos deve sempre levantar a suspeita de carcinoma epidermoide. O diagnóstico definitivo requer análise histopatológica, onde a presença de pontes intercelulares e pérolas córneas é definitiva. O estadiamento segue o sistema TNM, e o tratamento varia desde ressecção cirúrgica em estágios precoces até quimioterapia e imunoterapia em casos avançados.
Os achados patognomônicos do carcinoma epidermoide incluem a presença de pérolas córneas, que são redemoinhos concêntricos de queratina, além de células queratinizadas individuais e pontes intercelulares (desmossomos). Estas características confirmam a diferenciação escamosa do epitélio respiratório, frequentemente decorrente de um processo de metaplasia escamosa prévia induzida por irritantes crônicos, como o tabaco. Na microscopia, as células poligonais com citoplasma abundante e núcleos atípicos são marcantes. A identificação desses elementos é fundamental para diferenciar o carcinoma epidermoide de outros subtipos, como o adenocarcinoma ou o carcinoma de pequenas células, orientando diretamente a estratégia terapêutica e o prognóstico do paciente oncológico.
Diferente do adenocarcinoma, que é predominantemente periférico, o carcinoma epidermoide tende a apresentar uma localização central, originando-se nos brônquios de maior calibre, como os segmentares ou lobares. Essa localização central é responsável pela apresentação clínica clássica de tosse persistente, hemoptise e sinais de obstrução brônquica, como atelectasias ou pneumonias pós-obstrutivas. Em exames de imagem, como a tomografia de tórax, é comum observar massas hilares que podem cavitar, uma característica relativamente frequente neste subtipo histológico devido à necrose central do tumor. O reconhecimento dessa topografia auxilia o broncoscopista na obtenção de biópsias diagnósticas mais precisas e na avaliação da ressecabilidade cirúrgica.
O carcinoma epidermoide apresenta uma das correlações mais fortes e diretas com o tabagismo entre todos os tipos de câncer de pulmão. A exposição crônica e prolongada aos carcinógenos presentes na fumaça do cigarro provoca uma agressão contínua ao epitélio respiratório ciliado, induzindo uma resposta adaptativa conhecida como metaplasia escamosa. Com a persistência do estímulo agressivo, essa metaplasia pode evoluir para displasia de diversos graus e, finalmente, para o carcinoma in situ e invasivo. O risco de desenvolvimento deste tumor é diretamente proporcional à carga tabágica acumulada ao longo da vida, medida em maços-ano, tornando a cessação do tabagismo a intervenção mais eficaz na prevenção primária desta neoplasia agressiva.
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