MedEvo Simulado — Prova 2026
Jandira, 54 anos, nulípara, obesa (IMC 34 kg/m²) e tabagista ativa (30 maços-ano), comparece à consulta ginecológica com queixa de sangramento vaginal persistente há 5 meses, que se intensifica após as relações sexuais. Relata que sua última menstruação ocorreu há 2 anos, mas nega ter realizado terapia de reposição hormonal. Ao exame físico, apresenta bom estado geral e estabilidade hemodinâmica. O exame especular revela a presença de uma massa exofítica, friável, com áreas de necrose e sangramento ativo ao toque, localizada no lábio posterior do colo uterino, medindo cerca de 3,5 cm em seu maior diâmetro. O toque vaginal e retal sugerem que a lesão atinge o terço superior da vagina, mas os paramétrios estão livres até a parede pélvica. Uma ultrassonografia transvaginal realizada previamente pela paciente mostrava um útero de 90 cm³, com eco endometrial de 11 mm e anexos sem particularidades. Diante do quadro clínico e dos achados descritos, qual é a principal hipótese diagnóstica?
Sangramento pós-coital + massa cervical friável → Carcinoma epidermoide até que se prove o contrário.
O carcinoma epidermoide é o tipo histológico mais comum do câncer de colo uterino, frequentemente associado ao tabagismo e infecção por HPV, manifestando-se com sangramento e massas exofíticas.
O câncer de colo de útero permanece como uma das principais causas de morte por câncer em mulheres em países em desenvolvimento. O carcinoma epidermoide representa cerca de 80% dos casos e tem forte correlação com o tabagismo, que atua como cofator na oncogênese induzida pelo HPV. Clinicamente, a doença pode ser assintomática em estágios iniciais, progredindo para sangramento vaginal anormal (metrorragia), sinusorragia (sangramento após o coito) e corrimento fétido. No caso apresentado, a paciente possui sintomas típicos de invasão local. A presença de uma massa friável, exofítica e necrótica ao exame especular é altamente sugestiva de malignidade invasora, superando a hipótese de adenocarcinoma de endométrio, que geralmente se manifesta com útero aumentado e espessamento endometrial sem massa cervical evidente. O manejo inicial exige biópsia para confirmação histológica e avaliação da extensão da doença para planejamento terapêutico, que pode envolver desde cirurgia radical até quimiorradioterapia, dependendo do estadiamento final.
Os principais fatores incluem a infecção persistente por subtipos oncogênicos do HPV (especialmente 16 e 18), tabagismo (que dobra o risco para carcinoma escamoso), início precoce da vida sexual, múltiplos parceiros, imunossupressão (como HIV) e baixa adesão ao rastreamento citopatológico. A obesidade e a nuliparidade, embora citadas no caso, são fatores de risco mais clássicos para o câncer de endométrio, mas o achado físico no colo direciona para a neoplasia cervical.
O diagnóstico é confirmado através da biópsia da lesão suspeita identificada ao exame especular ou colposcopia. O exame histopatológico define o tipo celular, sendo o carcinoma epidermoide (escamoso) o mais prevalente (80%). Em casos onde a lesão não é visível a olho nu, a colposcopia com biópsia dirigida ou a conização podem ser necessárias para o diagnóstico de lesões invasoras iniciais.
O estadiamento do câncer de colo uterino é predominantemente clínico, baseado no sistema FIGO. O toque vaginal e retal são essenciais para avaliar a extensão para a vagina (terço superior vs. inferior) e para os paramétrios (livres vs. atingindo a parede pélvica). No caso descrito, a lesão atinge o terço superior da vagina com paramétrios livres, o que a classificaria preliminarmente como estádio IIA1 (lesão < 4cm).
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