Carcinoma Colo Uterino: Conização para Diagnóstico

IAMSPE/HSPE - Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público - Hospital do Servidor (SP) — Prova 2025

Enunciado

Paciente de 43 anos com 3 filhos vivos foi submetida a colposcopia e biópsia de colo uterino por colpocitologia oncótica NIC 3. A biópsia revelou carcinoma epidermóide in situ. O exame ginecológico era normal e os paramétrios livres. Foi submetida a histerectomia total abdominal. O exame anatomopatológico revelou corpo uterino normal e colo com carcinoma epidermóide invasivo com mais de 5mm de profundidade. Pode-se concluir que:

Alternativas

  1. A) A conduta foi correta e a paciente deve ser considerada curada.
  2. B) A conduta foi correta e a paciente deve receber radioterapia pélvica adjuvante.
  3. C) A conduta foi inadequada, deveria ter sido feito cirurgia de Wertheim Meigs, visto que a biópsia da colposcopia já mostrava carcinoma “in situ”.
  4. D) A conduta foi inadequada, deveria ter sido feito conização de colo uterino para definição diagnóstica e melhor escolha terapêutica.
  5. E) A conduta foi inadequada, pois carcinoma epidermóide “in situ” tem ótima resposta ao tratamento radioterápico exclusivo.

Pérola Clínica

NIC 3 ou carcinoma in situ → conização para diagnóstico definitivo antes de histerectomia.

Resumo-Chave

Em casos de NIC 3 ou carcinoma in situ, a conização é essencial para avaliar a profundidade e extensão da lesão. Isso permite um estadiamento preciso e a escolha da terapia mais adequada, evitando sub ou supertratamento, como uma histerectomia para uma lesão que, na verdade, é invasiva e exige cirurgia mais radical.

Contexto Educacional

O carcinoma epidermóide do colo uterino é uma das neoplasias ginecológicas mais comuns, com a Neoplasia Intraepitelial Cervical (NIC) sendo sua precursora. O diagnóstico precoce e o estadiamento correto são fundamentais para o sucesso do tratamento e a sobrevida da paciente. A colpocitologia oncótica (Papanicolau) é uma ferramenta de rastreamento, mas o diagnóstico definitivo requer biópsia e, muitas vezes, conização. A fisiopatologia envolve a infecção persistente por subtipos de alto risco do Papilomavírus Humano (HPV), levando a alterações celulares progressivas. Em casos de NIC 3 ou carcinoma in situ, a conização é um procedimento diagnóstico e, por vezes, terapêutico, que remove uma amostra cônica do colo uterino para análise histopatológica. Este procedimento é crucial para determinar a profundidade da invasão e a presença de margens livres, o que direciona a conduta subsequente. O tratamento do carcinoma de colo uterino varia conforme o estadiamento. Lesões in situ ou microinvasivas podem ser tratadas com conização ou histerectomia simples. Lesões invasivas mais avançadas exigem cirurgias mais radicais, como a histerectomia radical (Wertheim-Meigs), radioterapia e/ou quimioterapia. A escolha inadequada do tratamento inicial, como uma histerectomia simples para uma lesão que se revela invasiva, pode comprometer o prognóstico da paciente, ressaltando a importância de um diagnóstico preciso antes da terapia definitiva.

Perguntas Frequentes

Qual a importância da conização no diagnóstico do câncer de colo uterino?

A conização é crucial para obter uma amostra mais profunda e completa da lesão cervical, permitindo avaliar a profundidade de invasão e a extensão do carcinoma. Isso é fundamental para o estadiamento preciso e para guiar a escolha do tratamento definitivo, que pode variar de uma conização terapêutica a uma histerectomia radical.

Quando a histerectomia é a conduta inicial para NIC 3 ou carcinoma in situ?

A histerectomia total abdominal não é a conduta inicial para NIC 3 ou carcinoma in situ sem uma avaliação completa da profundidade da lesão. A conização é geralmente o primeiro passo para confirmar o diagnóstico e excluir invasão. A histerectomia pode ser considerada após a conização, dependendo dos resultados e do desejo da paciente de preservar a fertilidade.

Quais são as classificações de invasão do carcinoma epidermóide de colo uterino?

O carcinoma epidermóide de colo uterino é classificado em in situ (sem invasão da membrana basal), microinvasivo (invasão estromal superficial, geralmente < 5mm de profundidade e < 7mm de extensão horizontal) e invasivo (com maior profundidade e extensão). A profundidade de invasão é um fator determinante para o estadiamento e o plano terapêutico.

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