HSLRP - Hospital São Luiz Rede D'Or Ribeirão Preto (SP) — Prova 2025
Paciente do sexo feminino, 53 anos de idade, apresentou episódio de sangramento retal, e, durante exame proctológico, foi percebida uma lesão de 3,5 cm de diâmetro, iniciando-se na linha pectínea e invadindo o reto inferior. Realizada biópsia por colonoscopia, que resultou em carcinoma epidermoide pouco diferenciado. O estadiamento não evidenciou metástases à distância. Assinale a alternativa que contempla o melhor tratamento para essa paciente:
Carcinoma epidermoide anal (T1-T3, N0-N3, M0) → Quimiorradioterapia é tratamento padrão.
O carcinoma epidermoide do canal anal, especialmente em estágios iniciais a localmente avançados sem metástase à distância, tem como tratamento padrão a quimiorradioterapia concomitante. Esta abordagem preserva o esfíncter anal e oferece altas taxas de cura, evitando a necessidade de cirurgias mutiladoras como a amputação abdominoperineal.
O carcinoma epidermoide do canal anal é uma neoplasia maligna que, embora menos comum que o adenocarcinoma colorretal, tem uma abordagem terapêutica bem estabelecida e distinta. A maioria dos casos está associada à infecção pelo Papilomavírus Humano (HPV), especialmente os tipos de alto risco. O diagnóstico precoce é crucial, e a apresentação clínica frequentemente inclui sangramento retal, dor, prurido ou a presença de uma massa anal. O estadiamento é fundamental para guiar o tratamento, e a biópsia confirma o diagnóstico histopatológico. Para lesões localizadas ou localmente avançadas sem metástases à distância (como no caso descrito, T1-T3, N0-N3, M0), o tratamento padrão ouro é a quimiorradioterapia concomitante. Esta abordagem combina radioterapia externa com quimioterapia sistêmica (geralmente 5-fluorouracil e mitomicina C ou cisplatina), visando erradicar o tumor e preservar a função esfincteriana, evitando a necessidade de uma colostomia permanente. A resposta ao tratamento é avaliada após algumas semanas, e a cirurgia é geralmente reservada para casos de falha terapêutica ou doença residual. É um erro comum para residentes considerar a cirurgia radical (amputação abdominoperineal) como a primeira linha de tratamento para o carcinoma epidermoide anal. A cirurgia primária é historicamente associada a morbidade significativa e impacto na qualidade de vida. A quimiorradioterapia oferece uma alternativa eficaz e preservadora de órgãos, com excelentes taxas de controle local e sobrevida. O acompanhamento pós-tratamento é essencial para monitorar a resposta e detectar precocemente eventuais recorrências.
Os principais fatores de risco incluem infecção pelo vírus HPV (especialmente tipos 16 e 18), HIV, imunossupressão, tabagismo, múltiplos parceiros sexuais e sexo anal receptivo.
A quimiorradioterapia concomitante é o tratamento padrão devido às altas taxas de cura e à capacidade de preservar o esfíncter anal, evitando a necessidade de cirurgias mutiladoras e melhorando a qualidade de vida do paciente.
A cirurgia (geralmente amputação abdominoperineal) é reservada para casos de falha da quimiorradioterapia, doença residual persistente após o tratamento ou recorrência local que não pode ser tratada com novas doses de radioterapia.
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