UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2020
Paciente de 62 anos, diabética e obesa, com queixa de sangramento uterino anormal, procura o ambulatório de ginecologia, referindo ser nuligesta e estar menopausada desde os 58 anos. Devido a calores e insônia, há três anos, iniciou o uso isolado de valerato de estradiol 8mg por dia, que melhorou seus sintomas. A paciente relata utilizar metformina 500mg uma vez ao dia e estar sem acompanhamento de rotina ginecológica e de suas doenças de base há dois anos. Com base no caso clínico descrito: Considerando a confirmação de carcinoma de endométrio do tipo endometrioide limitado ao endométrio, descreva como deve ser realizado o estadiamento da doença.
Estadiamento do câncer de endométrio é CIRÚRGICO: Histerectomia + Anexectomia + Lavado + Linfadenectomia.
O câncer de endométrio exige estadiamento cirúrgico completo para definir o prognóstico e a necessidade de terapia adjuvante, mesmo em casos aparentemente limitados.
O carcinoma de endométrio é a neoplasia ginecológica mais comum em países desenvolvidos, fortemente associada à obesidade e ao hiperestrogenismo. O estadiamento cirúrgico é o padrão-ouro, pois a correlação entre achados pré-operatórios (imagem e biópsia) e o estágio real da doença pode falhar em até 20-25% dos casos. A classificação da FIGO guia o tratamento adjuvante, que pode incluir braquiterapia, radioterapia externa ou quimioterapia, dependendo da profundidade de invasão miometrial, grau histológico e envolvimento linfonodal ou anexial.
O estadiamento do câncer de endométrio é obrigatoriamente cirúrgico, conforme os critérios da FIGO. O procedimento padrão inclui a histerectomia total extrafascial, salpingo-oforectomia bilateral, coleta de lavado peritoneal para citologia oncótica e a avaliação dos linfonodos pélvicos e para-aórticos (linfadenectomia ou biópsia de linfonodo sentinela, dependendo do risco). A exploração minuciosa da cavidade abdominal e biópsias de áreas suspeitas também são fundamentais para a correta classificação da doença.
A linfadenectomia tem papel diagnóstico e prognóstico crucial. Ela permite identificar metástases ocultas que alterariam o estadiamento de I para III, modificando drasticamente a conduta pós-operatória. Em tumores de baixo risco (tipo endometrioide, grau 1 ou 2, invasão miometrial < 50%), a linfadenectomia sistemática é debatida, mas a técnica do linfonodo sentinela tem ganhado espaço como alternativa menos mórbida para avaliar o status nodal.
O uso de estrogênio sem a oposição da progesterona causa uma proliferação endometrial contínua e descontrolada. Em mulheres com útero presente, a terapia de reposição hormonal deve sempre ser combinada (estrogênio + progestagênio) para induzir a diferenciação e descamação endometrial, prevenindo a hiperplasia e a progressão para o carcinoma endometrioide, que é tipicamente estrogênio-dependente.
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