Carcinoma Ductal In Situ: Tratamento Pós-Setorectomia

FAMERP/HB - Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - Hospital de Base (SP) — Prova 2021

Enunciado

Paciente de 65 anos, submetida à setorectomia de mama com técnicas oncoplásticas devido carcinoma ductal in situ, grau nuclear 1, micropapilar, com margens livres e receptores hormonais positivos. Qual seria a sua conduta baseando-se nos estudos clínicos randomizados?

Alternativas

  1. A) Tamoxifeno.
  2. B) Radioterapia exclusiva.
  3. C) Radioterapia e inibidor de aromatase.
  4. D) Quimioterapia adjuvante seguida de hormonioterapia por 5 anos.

Pérola Clínica

CDIS RH+ pós-setorectomia com margens livres → Radioterapia + Inibidor de Aromatase (se pós-menopausa).

Resumo-Chave

Para carcinoma ductal in situ (CDIS) com receptores hormonais positivos em paciente pós-menopausa (65 anos), após setorectomia com margens livres, a conduta padrão baseada em estudos randomizados é a radioterapia adjuvante para reduzir o risco de recorrência local e a hormonioterapia com inibidor de aromatase para reduzir o risco de recorrência ipsilateral e contralateral.

Contexto Educacional

O Carcinoma Ductal In Situ (CDIS) representa uma lesão pré-invasiva da mama, caracterizada pela proliferação de células epiteliais malignas confinadas aos ductos mamários, sem invasão da membrana basal. Embora não seja invasivo, o CDIS é um precursor potencial do carcinoma invasivo, e seu manejo visa prevenir essa progressão e a recorrência local. O tratamento primário para CDIS é cirúrgico, geralmente por setorectomia (cirurgia conservadora da mama) com obtenção de margens livres. Após a cirurgia conservadora, a radioterapia adjuvante é amplamente recomendada para a maioria das pacientes, pois demonstrou reduzir significativamente as taxas de recorrência local, tanto de CDIS quanto de carcinoma invasivo. Para pacientes com CDIS que expressam receptores hormonais positivos (RH+) e que são pós-menopausa, a adição de hormonioterapia com inibidores de aromatase é uma conduta baseada em evidências. Estudos clínicos randomizados, como o NSABP B-35, demonstraram que o anastrozol (um inibidor de aromatase) é superior ao tamoxifeno na redução de eventos mamários ipsilaterais e contralaterais em mulheres pós-menopausa com CDIS RH+. Portanto, a combinação de radioterapia e inibidor de aromatase é a conduta mais adequada para o cenário descrito.

Perguntas Frequentes

Qual o papel da radioterapia adjuvante no CDIS após cirurgia conservadora?

A radioterapia adjuvante após setorectomia para CDIS tem como objetivo reduzir significativamente o risco de recorrência local (tanto CDIS quanto carcinoma invasivo) na mama ipsilateral, sendo uma prática padrão para a maioria dos casos.

Por que um inibidor de aromatase é indicado para CDIS com receptores hormonais positivos em mulheres pós-menopausa?

Os inibidores de aromatase são indicados para mulheres pós-menopausa com CDIS RH+ para reduzir o risco de recorrência ipsilateral e contralateral, atuando ao diminuir os níveis de estrogênio, que estimulam o crescimento das células cancerígenas.

Quais fatores influenciam a decisão de tratamento adjuvante no CDIS?

Fatores como idade da paciente, tamanho do tumor, grau nuclear, presença de necrose, status das margens cirúrgicas, subtipo histológico (ex: micropapilar) e status dos receptores hormonais são cruciais para guiar a decisão sobre radioterapia e hormonioterapia.

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