CDIS de Mama: Tratamento Adjuvante e Conduta

Unioeste/HUOP - Hospital Universitário do Oeste do Paraná - Cascavel (PR) — Prova 2017

Enunciado

Considerando paciente do sexo feminino, de 55 anos de idade, assintomática, exame físico normal, com mamografia de rastreamento mostrando microcalcificações pleomórficas, agrupadas, em distribuição segmentar em quadrante súpero-lateral de mama direita, BIRADS 4c. Foi submetida a biópsia após agulhamento estereotáxico com resultado de DIN 3 (neoplasia intraepitelial mamária 3 ou carcinoma ductal in-situ) de 2 cm, com margens acima de 10 mm (livres) e imuno-histoquímica com receptores hormonais (RE/RP) positivos. O que podemos considerar como tratamento adjuvante aceitável?

Alternativas

  1. A) Biópsia de linfonodo sentinela e quimioterapia com antraciclinas. 
  2. B) Radioterapia de ambas as mamas.
  3. C) Radioterapia da mama direita e inibidor de aromatase por 5 anos.
  4. D) Mastectomia bilateral, independente do status de mutação do BRCA.
  5. E) Não necessita de tratamento ajduvante.

Pérola Clínica

CDIS RE/RP+ pós-cirurgia conservadora com margens livres → Radioterapia + Terapia Endócrina (Inibidor de Aromatase se pós-menopausa).

Resumo-Chave

Para Carcinoma Ductal In Situ (CDIS) com receptores hormonais positivos em mulher pós-menopausa, após cirurgia conservadora com margens livres, o tratamento adjuvante padrão inclui radioterapia da mama afetada para reduzir a recorrência local e terapia endócrina (inibidor de aromatase por 5 anos) para reduzir o risco de recorrência e de novo câncer na mama contralateral.

Contexto Educacional

O Carcinoma Ductal In Situ (CDIS), também conhecido como Neoplasia Intraepitelial Mamária 3 (DIN 3), representa uma condição pré-invasiva do câncer de mama. Sua detecção tem aumentado devido ao rastreamento mamográfico, que identifica microcalcificações suspeitas. Embora não seja invasivo e não tenha potencial metastático, o CDIS é um marcador de risco e, se não tratado, pode progredir para carcinoma invasivo. O manejo do CDIS depende de fatores como tamanho, grau histológico, status dos receptores hormonais e, crucialmente, as margens cirúrgicas após a excisão. A cirurgia conservadora (tumorectomia) com margens livres é o tratamento local primário. Para pacientes que se submetem à cirurgia conservadora, a radioterapia adjuvante da mama ipsilateral é fortemente recomendada para reduzir o risco de recorrência local. A biópsia de linfonodo sentinela não é rotineiramente indicada para CDIS puro, a menos que haja suspeita de microinvasão ou se a paciente for submetida a mastectomia. Para CDIS com receptores hormonais positivos, a terapia endócrina adjuvante é um componente importante. Em mulheres pós-menopausa, os inibidores de aromatase (como anastrozol ou letrozol) são preferidos ao tamoxifeno, sendo administrados por cerca de 5 anos. Essa terapia visa reduzir o risco de recorrência na mama tratada e o desenvolvimento de um novo câncer na mama contralateral. A quimioterapia não tem papel no tratamento do CDIS. A compreensão desses protocolos é vital para residentes de mastologia e oncologia, garantindo o melhor prognóstico para as pacientes.

Perguntas Frequentes

O que é Carcinoma Ductal In Situ (CDIS) e qual sua importância?

O CDIS é uma forma não invasiva de câncer de mama, onde as células anormais estão confinadas aos ductos mamários e não invadiram o tecido circundante. É considerado um precursor do câncer invasivo e sua identificação e tratamento são cruciais para prevenir a progressão da doença.

Quando a radioterapia é indicada no tratamento do CDIS?

A radioterapia é geralmente indicada após a cirurgia conservadora (tumorectomia) para CDIS, mesmo com margens livres, para reduzir significativamente o risco de recorrência local do CDIS ou o desenvolvimento de câncer invasivo na mesma mama. Não é indicada para ambas as mamas, a menos que haja doença bilateral.

Qual o papel dos inibidores de aromatase no tratamento adjuvante do CDIS?

Os inibidores de aromatase (como anastrozol, letrozol) são indicados como terapia endócrina adjuvante para mulheres pós-menopausa com CDIS que apresentam receptores hormonais (RE/RP) positivos. Eles atuam reduzindo os níveis de estrogênio, diminuindo o risco de recorrência do CDIS e o desenvolvimento de um novo câncer na mama contralateral.

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