HFASP - Hospital de Força Aérea de São Paulo — Prova 2021
Mariana foi diagnosticada com carcinoma ductal in situ extenso com biópsia de linfonodo axilar sentinela. Submetida a cirurgia de mastectomia total à esquerda, realizou reconstrução simultânea com colocação de prótese mamária. O resultado anatomopatológico do linfonodo sentinela foi negativo e a peça apresentou margens livres. Diante do exposto qual seria a conduta?
CDIS extenso tratado com mastectomia total e margens livres, linfonodo sentinela negativo → cirurgia é curativa, sem necessidade de terapia adjuvante sistêmica ou radioterapia.
Em casos de Carcinoma Ductal In Situ (CDIS) extenso tratado com mastectomia total e obtenção de margens cirúrgicas livres, com linfonodo sentinela negativo, a cirurgia é considerada curativa. Não há indicação de quimioterapia, radioterapia ou hormonioterapia adjuvante, sendo o acompanhamento da mama contralateral a conduta adequada.
O Carcinoma Ductal In Situ (CDIS) representa uma proliferação de células epiteliais malignas confinadas aos ductos mamários, sem invasão da membrana basal. Embora não seja invasivo, o CDIS é um precursor do câncer de mama invasivo e seu manejo adequado é crucial. A extensão da doença e o tipo de cirurgia (conservadora ou mastectomia) são fatores determinantes na decisão terapêutica adjuvante. No caso de uma paciente com CDIS extenso submetida a mastectomia total, a cirurgia por si só é frequentemente curativa, especialmente quando as margens cirúrgicas estão livres e o linfonodo sentinela é negativo. A mastectomia remove todo o tecido mamário, eliminando a doença localmente. A biópsia do linfonodo sentinela é realizada em casos selecionados de CDIS (como lesões extensas ou de alto grau) para descartar a presença de microinvasão não detectada previamente. Com margens livres e linfonodo sentinela negativo, não há indicação para terapias adjuvantes como radioterapia, quimioterapia ou hormonioterapia. A radioterapia é tipicamente reservada para pacientes que optam por cirurgia conservadora (tumorectomia) para reduzir o risco de recorrência local. A quimioterapia não é utilizada no CDIS por ser uma doença não invasiva. A hormonioterapia pode ser considerada em casos de CDIS com receptores hormonais positivos após cirurgia conservadora, mas não após mastectomia total com margens livres. Portanto, a conduta mais apropriada é o controle por imagem da mama contralateral, visando a detecção precoce de novas lesões.
A radioterapia adjuvante é indicada para CDIS após cirurgia conservadora (tumorectomia) para reduzir o risco de recorrência local. Não é rotineiramente indicada após mastectomia total com margens livres.
A quimioterapia não tem papel no tratamento do CDIS, pois é uma doença não invasiva, ou seja, as células cancerígenas estão confinadas aos ductos mamários e não invadiram o estroma ou vasos sanguíneos.
A biópsia do linfonodo sentinela no CDIS é geralmente realizada em casos de mastectomia, alto grau histológico ou lesões extensas, para descartar microinvasão. Se negativo, confirma a ausência de doença axilar e não há necessidade de esvaziamento axilar.
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