Conduta em Microcalcificações Mamárias e CDIS

HIAE/Einstein - Hospital Israelita Albert Einstein (SP) — Prova 2026

Enunciado

Paciente de 57 anos, assintomática, sem história familiar de câncer de mama, comparece ao serviço de ginecologia trazendo mamografia de rastreamento, reproduzida a seguir. O exame físico não evidencia nódulos palpáveis ou linfadenopatia axilar. Qual a conduta diagnóstica mais apropriada neste caso e a hipótese histopatológica mais provável, caso se confirme malignidade?

Alternativas

  1. A) Core biopsy (agulha grossa), guiada por ultrassonografia; diagnóstico provável: carcinoma invasivo.
  2. B) Core biopsy (agulha grossa), guiada por estereotaxia; diagnóstico provável: carcinoma ductal in situ.
  3. C) Biópsia percutânea vácuo-assistida (mamotomia), guiada por estereotaxia; diagnóstico provável: carcinoma ductal in situ.
  4. D) Biópsia percutânea vácuo-assistida (mamotomia), guiada por estereotaxia; diagnóstico provável: carcinoma invasivo.

Pérola Clínica

Microcalcificações suspeitas → Mamotomia por estereotaxia (vácuo) → ↑ chance de CDIS.

Resumo-Chave

Para microcalcificações sem nódulo, a mamotomia (biópsia a vácuo) é preferível à core biopsy por retirar maior volume de tecido, reduzindo a subestimação diagnóstica de Carcinoma Ductal in Situ (CDIS).

Contexto Educacional

O rastreamento mamográfico visa detectar lesões não palpáveis, sendo as microcalcificações um dos sinais mais precoces de malignidade. Quando classificadas como BI-RADS 4 ou 5, a investigação histopatológica é mandatória. A escolha do método de biópsia depende da apresentação da lesão: nódulos são bem avaliados por core biopsy guiada por USG, enquanto microcalcificações exigem estereotaxia. A biópsia vácuo-assistida (mamotomia) tornou-se o padrão para microcalcificações por permitir a remoção completa de pequenas áreas suspeitas e a colocação de um clipe metálico marcador no local. O Carcinoma Ductal in Situ (CDIS) representa cerca de 20-25% dos novos casos de câncer de mama detectados por rastreamento, e sua identificação correta evita tanto o subtratamento quanto a progressão para doença invasiva.

Perguntas Frequentes

Por que preferir a mamotomia à core biopsy em microcalcificações?

A mamotomia, ou biópsia vácuo-assistida, utiliza agulhas de maior calibre e um sistema de sucção que permite a retirada de múltiplos fragmentos e de maior volume tecidual sem a necessidade de múltiplas punções. Em casos de microcalcificações, que são lesões heterogêneas e muitas vezes pequenas, a core biopsy (agulha grossa convencional) apresenta uma taxa de subestimação diagnóstica significativamente maior, podendo falhar em detectar focos de invasão ou mesmo o componente in situ presente na área calcificada.

Qual a importância da estereotaxia no procedimento?

A estereotaxia é uma técnica radiológica que utiliza coordenadas tridimensionais obtidas por imagens de mamografia de diferentes ângulos para localizar com precisão milimétrica lesões que não são visíveis ao ultrassom, como é o caso da maioria das microcalcificações. Ela guia a agulha de biópsia exatamente até o alvo, garantindo que o tecido calcificado suspeito seja efetivamente amostrado para análise histopatológica.

O que caracteriza o Carcinoma Ductal in Situ (CDIS)?

O CDIS é uma proliferação maligna de células epiteliais ductais que não ultrapassaram a membrana basal, sendo considerado uma lesão precursora não invasiva. Clinicamente, a maioria das pacientes é assintomática, e o achado radiológico clássico no rastreamento mamográfico são as microcalcificações pleomórficas ou agrupadas. O diagnóstico precoce via mamotomia é crucial, pois o tratamento adequado impede a progressão para carcinoma ductal invasivo.

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