Carcinoma Ductal Invasivo: Quimioterapia Neoadjuvante e Conservação

Santa Casa de Belo Horizonte (MG) — Prova 2024

Enunciado

Uma senhora de 45 anos apresenta uma massa palpável de 4cm. A patologia e a biópsia com agulha de centro sob orientação ultrassonográfica revelam um carcinoma ductal invasivo. A paciente deseja a terapia de conservação da mama. Nesse caso, o tratamento MAIS indicado para ela é:

Alternativas

  1. A) Dizer-lhe que ela não é candidata à terapia de conservação da mama e requer uma mastectomia radical modificada.
  2. B) Quimioterapia neoadjuvante seguida de terapia de conservação da mama.
  3. C) Dizer-lhe que ela não é candidata à terapia de conservação da mama e requer uma mastectomia simples com biópsia de linfonodo sentinela.
  4. D) Quimioterapia neoadjuvante seguida de conservação da mama e biópsia de LNS caso o tumor tenha uma resposta apropriada à quimioterapia.

Pérola Clínica

Carcinoma ductal invasivo > 2cm + desejo conservação → QT neoadjuvante + conservação + LNS pós-QT.

Resumo-Chave

Para tumores maiores (como 4cm) em pacientes que desejam terapia de conservação da mama, a quimioterapia neoadjuvante é a estratégia mais indicada. Ela pode reduzir o tamanho do tumor, tornando a cirurgia conservadora possível, e permite avaliar a resposta patológica, além de guiar a biópsia de linfonodo sentinela após a quimioterapia.

Contexto Educacional

O carcinoma ductal invasivo é o tipo mais comum de câncer de mama. O tratamento é multimodal e individualizado, dependendo do estágio da doença, características biológicas do tumor e preferências da paciente. Em casos de tumores maiores, como 4 cm, a terapia de conservação da mama (cirurgia conservadora seguida de radioterapia) pode não ser inicialmente viável devido ao tamanho do tumor em relação ao volume mamário. A quimioterapia neoadjuvante (administrada antes da cirurgia) desempenha um papel crucial nesses cenários. Seu objetivo principal é reduzir o tamanho do tumor (downstaging), permitindo que pacientes que inicialmente seriam candidatas apenas à mastectomia possam realizar uma cirurgia conservadora. Além disso, a quimioterapia neoadjuvante oferece a oportunidade de avaliar a resposta patológica do tumor ao tratamento sistêmico, o que tem valor prognóstico. Após a quimioterapia neoadjuvante, se houver uma resposta tumoral adequada, a cirurgia conservadora da mama pode ser realizada. A biópsia de linfonodo sentinela (LNS) é um procedimento padrão para estadiamento axilar. Em pacientes que eram clinicamente negativas na axila antes da quimioterapia, a LNS é realizada após a QT. Para pacientes que tinham linfonodos positivos e se tornaram negativos após a QT, a LNS ainda pode ser considerada, embora com algumas particularidades e a necessidade de excisão de múltiplos sentinelas ou amostragem axilar.

Perguntas Frequentes

Quando a quimioterapia neoadjuvante é indicada no câncer de mama?

A quimioterapia neoadjuvante é indicada para tumores maiores (>2-3 cm), doença localmente avançada, câncer de mama inflamatório, ou quando se busca a conservação da mama em tumores inicialmente grandes.

Qual o objetivo da quimioterapia neoadjuvante antes da cirurgia conservadora?

O principal objetivo é reduzir o tamanho do tumor (downstaging), tornando a cirurgia conservadora da mama possível em casos que inicialmente exigiriam mastectomia, além de avaliar a sensibilidade do tumor à quimioterapia.

Como a biópsia de linfonodo sentinela é abordada após quimioterapia neoadjuvante?

Em pacientes com linfonodos axilares clinicamente negativos antes da quimioterapia neoadjuvante, a biópsia de linfonodo sentinela é realizada após a quimioterapia. Se os linfonodos eram positivos e se tornaram negativos após a QT, a abordagem pode variar, mas a biópsia de LNS ainda é uma opção, com taxas de falso-negativo um pouco maiores.

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