PUC-PR Saúde - Pontifícia Universidade Católica do Paraná — Prova 2024
Você atende o retorno de uma paciente de 34 anos, primípara com desejo de ter mais um filho, que vem trazer o resultado do anátomo patológico de conização do colo do útero. O resultado mostra carcinoma epidermoide de grandes células não queratinizado com invasão do estroma em 3 mm de profundidade e 5mm de extensão e com margens livres. O estadiamento não apresenta invasão de linfonodos. Frente à história da paciente e ao resultado do exame, qual a melhor conduta?
Carcinoma cervical IA1/IA2 com margens livres + desejo de gestar → Conduta expectante/conservadora.
Em casos de carcinoma epidermoide de colo de útero em estágio inicial (IA1 ou IA2), com margens livres após conização e desejo de preservar a fertilidade, a conduta expectante ou a realização de traquelectomia radical (para IA2) são opções válidas, evitando a histerectomia e permitindo futuras gestações.
O manejo do carcinoma de colo de útero em pacientes jovens com desejo de preservar a fertilidade é um desafio clínico que exige conhecimento aprofundado do estadiamento e das opções terapêuticas. A classificação FIGO é fundamental para guiar a conduta. Em casos de carcinoma epidermoide de grandes células não queratinizado, com invasão do estroma de 3 mm de profundidade e 5 mm de extensão, e margens livres após conização, sem invasão linfonodal, estamos diante de um câncer cervical em estágio inicial (provavelmente IA1 ou IA2, dependendo da definição exata de profundidade e extensão). Para o estágio IA1 (invasão estromal < 3 mm de profundidade e < 7 mm de extensão horizontal), a conização com margens livres é frequentemente considerada curativa, e a paciente pode ser acompanhada. Para o estágio IA2 (invasão estromal entre 3 mm e 5 mm de profundidade e < 7 mm de extensão horizontal), a traquelectomia radical é a opção de escolha para a preservação da fertilidade, removendo o colo do útero, paramétrios e linfonodos pélvicos, mas mantendo o corpo uterino. Neste cenário específico, com desejo de ter mais filhos e um resultado de conização com margens livres para uma lesão de 3mm de profundidade e 5mm de extensão (o que se enquadra em IA2), a conduta mais adequada é a expectante ou a discussão de traquelectomia radical, visando a preservação da fertilidade. Histerectomia total simples ou radical seriam opções para pacientes que não desejam mais gestar ou em estágios mais avançados. A quimioterapia e radioterapia não são as primeiras opções para esses estágios iniciais com margens livres.
A preservação da fertilidade é uma opção para pacientes com câncer cervical em estágios iniciais, principalmente IA1 e IA2, onde a doença está restrita ao colo do útero e não há invasão linfonodal. A profundidade de invasão e a extensão são cruciais para essa decisão.
Para o carcinoma cervical IA1 com margens livres, a conização diagnóstica e terapêutica pode ser suficiente. Para o IA2, especialmente com desejo de gestar, a traquelectomia radical (remoção do colo do útero e parte superior da vagina) é uma opção que preserva o corpo uterino e, consequentemente, a fertilidade.
A histerectomia total simples é indicada para IA1 sem desejo de gestar ou quando a conização não obteve margens livres. A histerectomia radical é reservada para estágios mais avançados (IB1, IB2, IIA) ou para IA2 sem desejo de gestar ou quando a traquelectomia não é viável.
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