Câncer de Colo de Útero Avançado: Radioterapia e Quimioterapia

UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2023

Enunciado

Mulher, 47 anos de idade, deu entrada no PS com crise hipertensiva. Exames complementares revelaram ureia 60mg/dL e creatinina de 7 mg/dL, US de vias urinárias com dilatação ureteral bilateral acentuada. Refere diagnóstico recente de carcinoma epidermóide de colo de útero, ainda sem tratamento. A conduta mais adequada do ponto de vista oncológico é:

Alternativas

  1. A) radioterapia associada a quimioterapia sensibilizadora.
  2. B) cirurgia de Werthein Meigs.
  3. C) traquelectomia radical e parametrectomia.
  4. D) imunoterapia com pembrolizumabe (anti PD-L1).

Pérola Clínica

Carcinoma de colo de útero avançado com hidronefrose → radioterapia + quimioterapia sensibilizadora é a conduta oncológica padrão.

Resumo-Chave

Em casos de carcinoma de colo de útero localmente avançado, especialmente com comprometimento renal (hidronefrose bilateral), a radioterapia externa associada à quimioterapia sensibilizadora (geralmente cisplatina) é o tratamento de escolha, pois a cirurgia radical não é mais curativa e pode ser contraindicada.

Contexto Educacional

O carcinoma epidermóide de colo de útero é uma neoplasia ginecológica comum, cujo estadiamento é crucial para definir a conduta terapêutica. A presença de hidronefrose bilateral, como descrito no caso, indica um estágio avançado da doença (pelo menos IIIB, segundo a FIGO), onde o tumor já se estendeu para os parâmetros e está causando obstrução ureteral, levando à insuficiência renal. Nesses casos de doença localmente avançada, o tratamento padrão e mais eficaz é a combinação de radioterapia externa e braquiterapia, associada à quimioterapia sensibilizadora, geralmente à base de cisplatina. A quimioterapia atua potencializando o efeito da radiação, melhorando as taxas de controle local e sobrevida. A cirurgia radical, como a de Wertheim Meigs, é reservada para estágios mais iniciais da doença, onde o tumor está confinado ao colo uterino e não há comprometimento de estruturas adjacentes ou metástases à distância. A traquelectomia radical é uma opção para pacientes com câncer de colo de útero em estágio inicial que desejam preservar a fertilidade, enquanto a imunoterapia com pembrolizumabe é uma opção para casos de câncer de colo de útero recorrente ou metastático que expressam PD-L1, não sendo a primeira linha para doença localmente avançada com comprometimento renal. O manejo da insuficiência renal, muitas vezes com colocação de cateter duplo J ou nefrostomia, é fundamental para estabilizar a paciente antes ou durante o tratamento oncológico.

Perguntas Frequentes

Qual o estadiamento do câncer de colo de útero que apresenta hidronefrose bilateral?

A presença de hidronefrose ou rim não funcionante devido à obstrução ureteral causada pelo tumor, mesmo que unilateral, classifica o câncer de colo de útero como estágio IIIB ou superior, indicando doença localmente avançada.

Por que a radioterapia e quimioterapia são a conduta mais adequada nesse cenário?

Para o câncer de colo de útero localmente avançado (estágios IIB a IVA), a combinação de radioterapia externa (com braquiterapia) e quimioterapia sensibilizadora (geralmente cisplatina) é o tratamento padrão. A cirurgia radical não é mais curativa e pode ter morbidade elevada nesse estágio.

Qual o papel da cirurgia de Wertheim Meigs no câncer de colo de útero?

A cirurgia de Wertheim Meigs (histerectomia radical com linfadenectomia pélvica) é indicada para estágios iniciais do câncer de colo de útero (IA2, IB1, IB2 e IIA1), onde a doença está restrita ao colo e não há comprometimento de parâmetros ou estruturas adjacentes.

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