Carcinoma de Colo Uterino: Estadiamento e Tratamento

UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2023

Enunciado

Mulher de 38 anos realizou biópsia de colo uterino que evidenciou carcinoma escamoso. Ao examinála, verifica-se uma lesão de 6cm limitada ao colo, não acometendo a vagina. A ressonância magnética de pelve não evidenciou comprometimento parametrial ou linfonodal. A indicação terapêutica é de:

Alternativas

  1. A) laparotomia exploradora
  2. B) histerectomia radical
  3. C) conização clássica
  4. D) radioquimioterapia

Pérola Clínica

Carcinoma de colo uterino > 4cm (Estádio IB3 ou IIA2) → radioquimioterapia concomitante é a conduta padrão.

Resumo-Chave

Um carcinoma escamoso de colo uterino com 6cm, mesmo que limitado ao colo e sem comprometimento parametrial/linfonodal, é considerado um tumor volumoso (FIGO IB3). Para tumores maiores que 4cm, a radioquimioterapia concomitante é o tratamento de escolha, oferecendo melhores resultados que a cirurgia isolada.

Contexto Educacional

O carcinoma de colo uterino é uma neoplasia ginecológica comum, e seu manejo depende crucialmente do estadiamento. O sistema de estadiamento da Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia (FIGO) é predominantemente clínico, embora exames de imagem como a ressonância magnética (RM) de pelve sejam valiosos para avaliar a extensão da doença e planejar o tratamento. A RM é excelente para avaliar o tamanho do tumor, o envolvimento parametrial e o status linfonodal. No caso apresentado, a paciente tem um carcinoma escamoso de 6cm limitado ao colo, sem comprometimento parametrial ou linfonodal. De acordo com a classificação FIGO 2018, um tumor limitado ao colo uterino com tamanho maior que 4cm é classificado como Estádio IB3. Para tumores de colo uterino com mais de 4cm (Estádio IB3 ou IIA2), a radioquimioterapia concomitante é considerada o tratamento padrão-ouro. A cirurgia (histerectomia radical) é geralmente reservada para tumores menores (Estádio IB1, IB2, IIA1). A radioquimioterapia concomitante combina radioterapia externa e quimioterapia à base de cisplatina, que atua como radiossensibilizador. Essa abordagem demonstrou ser superior à radioterapia isolada ou à cirurgia para tumores localmente avançados, melhorando as taxas de controle local e sobrevida global. A escolha do tratamento é complexa e deve ser individualizada, considerando o estadiamento, o tamanho do tumor, a idade da paciente, comorbidades e desejo de preservar a fertilidade, quando aplicável.

Perguntas Frequentes

Como é estadiado o carcinoma de colo uterino de acordo com a FIGO?

O estadiamento da FIGO para câncer de colo uterino é clínico e radiológico. Estágios iniciais (IA, IB1, IB2, IIA1) podem ser tratados cirurgicamente, enquanto estágios mais avançados (IB3, IIA2, IIB, III, IV) geralmente requerem radioquimioterapia.

Qual a indicação da radioquimioterapia concomitante no câncer de colo uterino?

A radioquimioterapia concomitante é o tratamento padrão para tumores de colo uterino localmente avançados, incluindo tumores volumosos (maiores que 4cm, como IB3 ou IIA2) e aqueles com comprometimento parametrial, linfonodal ou vaginal.

Quando a histerectomia radical é uma opção para o câncer de colo uterino?

A histerectomia radical (cirurgia de Wertheim-Meigs) é uma opção para estágios iniciais do câncer de colo uterino (FIGO IA1 com invasão linfovascular, IA2, IB1, IB2, IIA1), especialmente em pacientes jovens que desejam preservar a função ovariana ou que não têm contraindicações cirúrgicas.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo