UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2022
Mulher, 48 anos de idade, foi admitida no PS com diagnóstico de tromboembolismo pulmonar agudo. Apresenta oligúria e sangramento vaginal em moderada quantidade. Exame físico: presença de massa no colo do útero, medindo 6 cm, friável, necrótica, sangrante, com forte odor pútrido, ocupando fórnices vaginais. Exames laboratoriais: Hb 5,4 g/dL; Ht 12,2%; Ureia 245 mg/dL; Creatinina 7,5 mg/dL. US de rins e vias urinárias: dilatação ureteral bilateral acentuada. Qual é a conduta mais adequada, após a compensação clínica?
Carcinoma de colo uterino avançado com IRA obstrutiva → derivação urinária + radio/quimioterapia.
Pacientes com câncer de colo uterino avançado podem apresentar compressão ureteral, levando à insuficiência renal aguda obstrutiva. A conduta inicial visa aliviar a obstrução e estabilizar o paciente antes do tratamento oncológico definitivo, que geralmente é multimodal.
O carcinoma de colo uterino avançado é uma neoplasia ginecológica comum, com alta morbimortalidade. A compressão ureteral, levando à insuficiência renal aguda obstrutiva, é uma complicação grave que exige intervenção imediata para preservar a função renal e estabilizar o paciente. O diagnóstico precoce e o estadiamento adequado são fundamentais para definir a melhor abordagem terapêutica. A fisiopatologia da IRA obstrutiva no câncer de colo uterino envolve o crescimento tumoral que invade ou comprime os ureteres, impedindo o fluxo urinário. O diagnóstico é confirmado por exames de imagem como ultrassonografia, que mostra hidronefrose e dilatação ureteral. A suspeita deve surgir em pacientes com câncer ginecológico avançado que apresentam oligúria ou elevação de marcadores renais. A conduta inicial, após a compensação clínica, é a derivação urinária (cateter duplo J ou nefrostomia percutânea) para aliviar a obstrução. Após a melhora da função renal e estabilização do quadro, o tratamento definitivo para o câncer avançado geralmente envolve radioterapia e quimioterapia concomitantes, não sendo indicada a cirurgia radical neste estágio.
Sinais incluem sangramento vaginal, massa friável no colo uterino, oligúria e exames laboratoriais com ureia e creatinina elevadas, além de dilatação ureteral em ultrassonografia.
A derivação urinária (duplo J ou nefrostomia) é crucial para aliviar a obstrução ureteral, preservar a função renal e permitir a compensação clínica do paciente antes do tratamento oncológico definitivo.
A cirurgia de Wertheim Meigs é indicada para estágios iniciais do câncer de colo. Em doença avançada com comprometimento renal, o tratamento é multimodal, com foco inicial na desobstrução e, posteriormente, radio e quimioterapia.
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