Carcinoma de Colo Uterino: Estadiamento e Conduta em Jovens

UESPI - Universidade Estadual do Piauí — Prova 2021

Enunciado

Paciente de 36 anos, casada, G3 P3(N)A0, refere sinusorragia há 6 meses, sendo que nos últimos 2 meses tem evoluído com sangramento intermitente entre as menstruações. Ao exame físico lesão vegetante de colo, aparentemente restrita ao colo e sem envolvimento de paramétrios ou vagina. A Biópsia dirigida revelou tratar-se de carcinoma epidermoide de colo uterino grau 2. Assim sendo, de acordo com o estadiamento clínico, a idade e diagnóstico, a melhor conduta deve ser:

Alternativas

  1. A) Radioterapia pélvica com quimioterapia sensibilizante, tendo em vista a gravidade da doença.
  2. B) Histerectomia total com salpingectomia e preservação de ovários, tendo em vista se tratar de paciente jovem.
  3. C) Histerectomia total ampliada (Wertheim Meigs incluindo salpingooforectomia bilateral, tendo em vista a gravidade da doença.
  4. D) Histerectomia Total Ampliada (Wertheim Meigs com preservação de ovários, seguida de Radioterapia pélvica tendo em vista a gravidade da doença.
  5. E) Histerectomia Total Ampliada (Wertheim Meigs com possibilidade de preservação de ovários, tendo em vista a idade da paciente.

Pérola Clínica

Carcinoma colo uterino (estágio inicial, lesão restrita): Histerectomia Total Ampliada (Wertheim Meigs), considerar preservação ovariana em jovens.

Resumo-Chave

Em paciente jovem com carcinoma epidermoide de colo uterino em estágio inicial (lesão restrita ao colo, sem envolvimento de paramétrios ou vagina), a histerectomia total ampliada (Wertheim-Meigs) é a conduta padrão. A preservação ovariana deve ser considerada para manter a função endócrina e qualidade de vida.

Contexto Educacional

O carcinoma epidermoide de colo uterino é uma neoplasia ginecológica comum, e seu diagnóstico precoce é fundamental para o sucesso do tratamento. A paciente apresentada, com 36 anos, G3P3A0, e sintomas como sinusorragia e sangramento intermenstrual, além de uma lesão vegetante restrita ao colo, sugere um estágio inicial da doença. A biópsia confirmando carcinoma epidermoide grau 2 reforça a necessidade de estadiamento clínico preciso para definir a melhor conduta. De acordo com o estadiamento clínico (provavelmente FIGO IB1 ou IB2, dependendo do tamanho da lesão, mas a descrição "aparentemente restrita ao colo e sem envolvimento de paramétrios ou vagina" sugere um estágio inicial passível de cirurgia), a histerectomia total ampliada, também conhecida como cirurgia de Wertheim-Meigs, é o tratamento padrão-ouro para o câncer de colo uterino em estágios iniciais. Este procedimento envolve a remoção do útero, colo, paramétrios, terço superior da vagina e linfonodos pélvicos. A idade da paciente é um fator crucial a ser considerado. Em mulheres jovens, a preservação dos ovários é uma opção importante para manter a função endócrina e a qualidade de vida, evitando a menopausa cirúrgica precoce. Essa decisão é tomada com base na ausência de envolvimento ovariano macroscópico ou microscópico e no tipo histológico da doença. A radioterapia pélvica com quimioterapia sensibilizante é geralmente reservada para estágios mais avançados ou como tratamento adjuvante em casos de fatores de risco.

Perguntas Frequentes

Quais são os sintomas mais comuns do carcinoma de colo uterino?

Os sintomas mais comuns incluem sangramento vaginal anormal (sinusorragia, sangramento intermenstrual, pós-coito), corrimento vaginal fétido e dor pélvica em estágios mais avançados.

O que é a histerectomia total ampliada (Wertheim-Meigs)?

É um procedimento cirúrgico radical para câncer de colo uterino que remove o útero, colo, paramétrios, terço superior da vagina e linfonodos pélvicos, visando erradicar a doença localmente avançada.

Quando a preservação ovariana é possível em casos de câncer de colo uterino?

A preservação ovariana pode ser considerada em pacientes jovens com câncer de colo uterino em estágio inicial (geralmente IA1 a IB1), onde não há evidência de metástase ovariana e o tipo histológico não é de alto risco para disseminação ovariana.

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