UESPI - Universidade Estadual do Piauí — Prova 2015
Paciente de 50 anos, proveniente de Bacabal - MA, refere sinusorragia há 3 meses, acompanhada de leucorreia amarelada de odor fétido. Menarca aos 12 anos. Sexarca aos 15 anos. Ciclos pouco irregulares há 6 meses, com fluxo aumentado durando aproximadamente 8 dias. G8 P6 (Normais) A2. Ligadura tubária aos 38 anos. Última citologia oncótica há 5 anos. Exame especular: lesão exofítica sangrante ao toque do espéculo e da espátula que atinge o fórnice vaginal. Ao toque, útero pouco aumentado de volume, em AVF, com lesão que infiltra o paramétrio lateral à direita. Assinale a alternativa que melhor contempla sua hipótese diagnóstica e as etapas seguintes da conduta:
Sinusorragia + lesão exofítica sangrante + infiltração paramétrio → Carcinoma de colo uterino IIB. Conduta: biópsia e radioterapia.
A presença de sinusorragia, leucorreia fétida, lesão exofítica sangrante no colo e infiltração do paramétrio são altamente sugestivas de carcinoma de colo uterino avançado (estádio IIB). A biópsia é essencial para confirmação, e a radioterapia é o tratamento de escolha para estádios localmente avançados.
O carcinoma de colo uterino é uma neoplasia ginecológica comum, especialmente em regiões com acesso limitado a programas de rastreamento. A apresentação clínica clássica inclui sangramento vaginal anormal (sinusorragia, sangramento pós-coito), leucorreia fétida e, em estádios avançados, dor pélvica. A paciente do caso apresenta uma história e exame físico altamente sugestivos de carcinoma de colo uterino, com uma lesão exofítica sangrante e, crucialmente, infiltração do paramétrio. A infiltração do paramétrio, sem atingir a parede pélvica ou o terço inferior da vagina, classifica o tumor como estádio IIB de acordo com a Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia (FIGO). O estadiamento do câncer de colo uterino é predominantemente clínico, e a biópsia do colo uterino é essencial para a confirmação histopatológica do diagnóstico. Para o estádio IIB, a conduta padrão é a radioterapia externa associada à quimioterapia concomitante (geralmente cisplatina), seguida de braquiterapia. A cirurgia radical (histerectomia radical) é geralmente reservada para estádios iniciais (IA1 a IIA1) sem comprometimento paramétrico. A opção D é a mais correta, pois identifica o diagnóstico provável, o estadiamento correto e a conduta terapêutica adequada para este cenário clínico.
Os sintomas mais comuns incluem sangramento vaginal anormal (sinusorragia, sangramento pós-coito, sangramento intermenstrual), leucorreia fétida e dor pélvica em estádios mais avançados.
O estadiamento é clínico, baseado no exame físico (especular e toque vaginal), biópsia, exames de imagem (ressonância magnética, tomografia) e cistoscopia/retossigmoidoscopia, seguindo a classificação FIGO.
No estádio IIB, há infiltração do paramétrio, o que torna a cirurgia radical mais complexa e com maiores riscos de margens positivas. A radioterapia externa, frequentemente combinada com quimioterapia (cisplatina), oferece melhor controle local e sobrevida.
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