Câncer de Colo Uterino: Fator de Risco Principal (HPV)

IAMSPE/HSPE - Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público - Hospital do Servidor (SP) — Prova 2023

Enunciado

O carcinoma do colo uterino é bastante prevalente no Brasil, sendo mais preponderante nas regiões mais pobres. Apesar dessa alta prevalência, o diagnóstico precoce é maior a cada dia, em razão da propedêutica e da conscientização da população na busca pelos exames. Acerca dessa neoplasia, assinale a alternativa correta. 

Alternativas

  1. A) O principal fator de risco para o desenvolvimento de lesões intraepiteliais de alto grau e do câncer do colo do útero é a infecção pelo papiloma vírus humano (HPV). 
  2. B) São fatores de risco: sexarca precoce; multiparidade; múltiplos parceiros; diabetes; e hipertensão arterial. 
  3. C) O tipo histológico mais comum é o adenocarcinoma.
  4. D) As metástases mais comuns são a hepática e a pulmonar, sendo essas as principais causas de óbito. 
  5. E) A conização do colo uterino só está indicada nos estádios iniciais, estádios Ia e Ib.

Pérola Clínica

Infecção persistente por HPV de alto risco = principal fator etiológico para câncer de colo uterino.

Resumo-Chave

A infecção persistente por tipos oncogênicos do Papilomavírus Humano (HPV) é o fator de risco mais importante e necessário para o desenvolvimento de lesões intraepiteliais de alto grau (NIC 2/3) e, consequentemente, do carcinoma do colo uterino. Embora outros fatores possam modular o risco, o HPV é o agente etiológico primário.

Contexto Educacional

O carcinoma do colo uterino representa um grave problema de saúde pública no Brasil, especialmente em regiões com menor desenvolvimento socioeconômico. A compreensão de sua etiologia, fatores de risco e estratégias de prevenção e rastreamento é vital para todos os profissionais de saúde, em particular para residentes de Ginecologia e Obstetrícia, e Medicina de Família e Comunidade. A boa notícia é que, por ser uma doença de progressão lenta e com um agente etiológico bem definido, o diagnóstico precoce e a prevenção são altamente eficazes. O ponto central na patogênese do câncer de colo uterino é a infecção persistente por tipos oncogênicos do Papilomavírus Humano (HPV). O HPV é o principal fator de risco e é considerado um fator necessário, embora não suficiente, para o desenvolvimento da neoplasia. A maioria das infecções por HPV é transitória e regride espontaneamente, mas a persistência da infecção por tipos de alto risco (como HPV 16 e 18) pode levar ao desenvolvimento de lesões intraepiteliais de baixo grau (NIC 1), que podem progredir para lesões de alto grau (NIC 2/3) e, eventualmente, para o câncer invasivo. O rastreamento através do exame Papanicolau (citologia oncótica) e, mais recentemente, o teste de HPV, são as principais ferramentas para o diagnóstico precoce das lesões pré-cancerígenas. A vacinação contra o HPV, disponível para adolescentes, representa a estratégia de prevenção primária mais eficaz. O tratamento do câncer de colo uterino varia conforme o estágio da doença, podendo incluir conização, histerectomia, radioterapia e quimioterapia. A conscientização da população e a organização dos serviços de saúde para o rastreamento e tratamento são cruciais para reduzir a incidência e mortalidade por essa neoplasia.

Perguntas Frequentes

Quais são os tipos de HPV mais associados ao câncer de colo uterino?

Os tipos de HPV de alto risco mais associados ao câncer de colo uterino são o HPV 16 e o HPV 18, responsáveis por aproximadamente 70% dos casos. Outros tipos de alto risco incluem 31, 33, 45, 52 e 58.

Além do HPV, quais outros fatores de risco contribuem para o desenvolvimento do câncer de colo uterino?

Outros fatores de risco incluem sexarca precoce, múltiplos parceiros sexuais, tabagismo, imunossupressão (HIV), multiparidade e uso prolongado de contraceptivos orais. Estes são considerados cofatores que facilitam a persistência da infecção por HPV.

Qual o tipo histológico mais comum de carcinoma do colo uterino?

O tipo histológico mais comum é o carcinoma epidermoide (ou escamoso), responsável por cerca de 80-90% dos casos. O adenocarcinoma representa a maioria dos casos restantes.

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