USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2020
Mulher, 45 anos de idade, com sangramento menstrual irregular, realizou ultrassom abdominal que evidenciou uma lesão exofítica hiperecogênica no rim direito medindo 3,3 cm de diâmetro. Realizada tomografia computadorizada de abdome que demonstrou lesão no terço inferior do rim direito, medindo 3,5 cm, com realce da lesão após a injeção do contraste endovenoso; rim esquerdo sem alterações. Qual é a melhor conduta?
Tumores renais pequenos (< 4 cm), especialmente em rim único funcional, são tratados preferencialmente com nefrectomia parcial para preservar a função renal.
A lesão renal descrita, com realce ao contraste, é altamente sugestiva de carcinoma de células renais (CCR). Para tumores renais pequenos (T1a, < 4 cm), a nefrectomia parcial é a conduta de escolha, pois oferece taxas de cura oncológica equivalentes à nefrectomia radical, mas com melhor preservação da função renal e menor morbidade a longo prazo.
O carcinoma de células renais (CCR) é o tumor maligno mais comum do rim, representando cerca de 90% das neoplasias renais. Sua incidência tem aumentado, em parte devido à detecção incidental de massas renais pequenas em exames de imagem realizados por outras razões. A apresentação clínica clássica (hematúria, dor lombar e massa palpável) é rara hoje em dia, sendo a maioria dos casos assintomática. O diagnóstico de uma massa renal geralmente é feito por ultrassonografia, tomografia computadorizada (TC) ou ressonância magnética (RM). O realce da lesão após a injeção de contraste é um forte indicativo de malignidade. O estadiamento é crucial para definir a conduta. Tumores T1a são aqueles menores que 4 cm, confinados ao rim. Para tumores renais T1a, a nefrectomia parcial é considerada o padrão-ouro. Esta abordagem cirúrgica visa remover apenas o tumor e uma margem de segurança, preservando o máximo de tecido renal saudável. Isso é fundamental para manter a função renal a longo prazo, especialmente em pacientes com risco de desenvolver doença renal crônica. O seguimento pós-operatório é essencial para monitorar a recorrência e a função renal.
Os principais são o carcinoma de células claras (mais comum), papilífero e cromófobo, cada um com características e prognósticos distintos.
A nefrectomia parcial preserva o parênquima renal saudável, reduzindo o risco de doença renal crônica, hipertensão e eventos cardiovasculares a longo prazo, com resultados oncológicos semelhantes para tumores pequenos.
A nefrectomia radical é indicada para tumores maiores, multifocais, com invasão de estruturas adjacentes, trombose de veia renal ou em casos onde a nefrectomia parcial não é tecnicamente viável.
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