MedEvo Simulado — Prova 2026
Ricardo, um homem de 65 anos, ex-tabagista com carga tabágica de 40 maços-ano, procura atendimento médico após realizar uma ultrassonografia de abdome de rotina. O laudo do exame descreve a presença de uma lesão sólida, exofítica, medindo 4,2 cm no terço médio do rim esquerdo, com vascularização identificada ao Doppler. O paciente é totalmente assintomático, negando episódios de hematúria, dor lombar ou perda de peso recente. Ao exame físico, o abdome é plano, indolor à palpação, sem massas ou visceromegalias palpáveis. O sinal de Giordano é negativo bilateralmente. Diante do achado incidental em um paciente com o perfil epidemiológico descrito, qual o diagnóstico mais provável para essa massa renal?
Massa renal sólida, exofítica e vascularizada em idoso tabagista = Carcinoma de Células Renais (CCR).
O CCR é o tumor renal sólido mais comum no adulto. A tríade clássica (dor, hematúria e massa) é rara; a maioria é detectada incidentalmente em exames de imagem.
O carcinoma de células renais (CCR) apresenta uma incidência crescente nas últimas décadas, em grande parte devido ao maior uso de exames de imagem (ultrassonografia e tomografia) para investigação de queixas não relacionadas, fenômeno conhecido como 'incidentaloma'. O tabagismo, a obesidade e a hipertensão são fatores de risco clássicos bem estabelecidos na literatura. Lesões sólidas com vascularização identificada ao Doppler em pacientes idosos devem ser tratadas como malignas até prova em contrário. O estadiamento inicial envolve obrigatoriamente a tomografia computadorizada (TC) de abdome e pelve com contraste para avaliar a captação do tumor (wash-in), invasão da veia renal ou veia cava e presença de linfonodomegalias. O tratamento padrão para massas T1a (< 4 cm) é a nefrectomia parcial, visando a preservação da função renal.
O carcinoma de células claras é o subtipo histológico mais prevalente, correspondendo a cerca de 70-80% dos casos de carcinoma de células renais. Ele se origina das células do túbulo contorcido proximal e está frequentemente associado a deleções no braço curto do cromossomo 3 (gene VHL).
Cistos simples (Bosniak I) são caracterizados por serem anecoicos, apresentarem reforço acústico posterior e ausência de septos ou vascularização. Massas sólidas, como o CCR, apresentam ecogenicidade interna (iso, hipo ou hiperecogênicas em relação ao parênquima), podem ser exofíticas e demonstram fluxo sanguíneo ao Doppler colorido.
O tabagismo é o principal fator de risco modificável, dobrando o risco de desenvolvimento de CCR em comparação com não fumantes. Outros fatores significativos incluem a obesidade, a hipertensão arterial sistêmica e a exposição ocupacional a metais pesados como cádmio e derivados de petróleo.
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