UFRN/HUOL - Hospital Universitário Onofre Lopes - Natal (RN) — Prova 2023
Paciente do sexo masculino, 55 anos, observou, há três meses, linfonodomegalia cervical. Realizou tomografia computadorizada de pescoço que evidenciou lesão infiltrativa em base de língua, com realce pelo contraste, medindo 3,0 cm, além de múltiplas linfonodomegalias cervicais bilaterais. A biópsia de linfonodo cervical revelou carcinoma de células escamosas com positividade para p16 no estudo imunoistoquímico. Esse diagnóstico está associado à infecção por
Carcinoma de células escamosas de orofaringe p16+ → forte associação com infecção por HPV, melhor prognóstico.
A positividade para p16 na imunoistoquímica é um marcador substituto para a infecção por HPV de alto risco em carcinomas de células escamosas da orofaringe. Essa associação confere características biológicas e prognósticas distintas à doença, geralmente com melhor resposta ao tratamento e sobrevida.
O carcinoma de células escamosas da orofaringe é uma neoplasia maligna que tem apresentado uma mudança epidemiológica significativa. Tradicionalmente associado ao tabagismo e etilismo, observa-se um aumento na incidência de casos relacionados à infecção pelo Papilomavírus Humano (HPV), especialmente o subtipo HPV-16. Essa variante da doença afeta frequentemente pacientes mais jovens, sem histórico de tabagismo ou etilismo, e manifesta-se comumente na base da língua e nas tonsilas, muitas vezes com linfonodomegalia cervical proeminente. A detecção da infecção por HPV em tumores de orofaringe é crucial para o diagnóstico e prognóstico. A imunoistoquímica para a proteína p16 é amplamente utilizada como um marcador substituto para a presença de HPV de alto risco. A superexpressão de p16 ocorre devido à inativação da proteína do retinoblastoma (pRb) pelas oncoproteínas E7 do HPV, levando a um ciclo celular desregulado e acúmulo de p16. Tumores p16 positivos geralmente apresentam características moleculares distintas e um curso clínico mais favorável. O tratamento do carcinoma de células escamosas da orofaringe associado ao HPV envolve cirurgia, radioterapia e quimioterapia, dependendo do estágio da doença. A melhor resposta ao tratamento e o melhor prognóstico observados nos tumores HPV-positivos têm impulsionado pesquisas sobre a desintensificação terapêutica para reduzir a morbidade sem comprometer a eficácia. A vacinação contra o HPV é uma medida preventiva fundamental para reduzir a incidência desses cânceres.
Os principais fatores de risco incluem tabagismo, etilismo e, crescentemente, a infecção pelo Papilomavírus Humano (HPV), especialmente os subtipos de alto risco como o HPV-16. A combinação de tabaco e álcool potencializa o risco.
A positividade para p16 por imunoistoquímica indica uma forte associação com a infecção por HPV, o que geralmente confere um melhor prognóstico e pode influenciar as opções terapêuticas, como a desintensificação do tratamento em alguns casos.
O HPV, principalmente os subtipos de alto risco, integra seu DNA ao genoma da célula hospedeira e expressa oncoproteínas E6 e E7. Estas proteínas inativam genes supressores tumorais como p53 e pRb, respectivamente, levando à proliferação celular descontrolada e ao desenvolvimento do câncer.
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