UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2025
Homem de 54 anos queixa-se de disfagia nos últimos 5 meses. AP: ex-etilista e tabagista ativo. EDA: lesão vegetante em esôfago médio, ocupando 60% da luz do órgão. Anatomopatológico: carcinoma de células escamosas. TC de abdome e tórax: sem evidência de metástases hepáticas e adenomegalias; íntimo contato da lesão com o brônquio fonte direito. Broncoscopia rígida: ausência de mobilidade do brônquio fonte direito. O tratamento é:
Invasão de via aérea (T4b) no câncer de esôfago = Irressecabilidade → Paliação com prótese.
A ausência de mobilidade do brônquio na broncoscopia indica invasão tumoral (T4b), contraindicando cirurgia radical e priorizando a qualidade de vida com prótese endoscópica.
O carcinoma de células escamosas (CEC) de esôfago está fortemente associado ao tabagismo e etilismo. O estadiamento preciso é crucial, envolvendo TC, ecoendoscopia e, em tumores de esôfago médio/superior, a broncoscopia para avaliar invasão da via aérea. Quando a cura cirúrgica não é possível devido à invasão local (T4b) ou metástases à distância, o manejo da disfagia torna-se a prioridade. As próteses metálicas autoexpansíveis (SEMS) oferecem alívio rápido e sustentado da obstrução luminal. Além da prótese, a quimiorradioterapia paliativa pode ser considerada para controle local da doença e aumento da sobrevida global.
O estadiamento T4b refere-se a tumores que invadem estruturas adjacentes irressecáveis, como a aorta, corpos vertebrais ou a árvore traqueobrônquica. No caso clínico apresentado, a 'ausência de mobilidade do brônquio fonte direito' durante a broncoscopia é um sinal clássico de invasão neoplásica direta, o que classifica a doença como localmente avançada e tecnicamente irressecável para fins curativos.
A prótese esofágica autoexpansível revestida é indicada para a paliação da disfagia em pacientes com câncer de esôfago irressecável ou metastático. Ela permite a retomada da via oral, melhorando o estado nutricional e a qualidade de vida. O revestimento é fundamental para evitar o crescimento tumoral através das malhas da prótese e para tratar ou prevenir fístulas traqueoesofágicas, que são complicações comuns em tumores T4b.
A esofagectomia é uma cirurgia de grande porte com alta morbimortalidade. Em pacientes com invasão de via aérea (T4b), a tentativa de ressecção não oferece benefício de sobrevida e apresenta altíssimo risco de lesão de estruturas vitais e margens comprometidas (R2). Nesses casos, o foco do tratamento muda de curativo para paliativo, utilizando quimiorradioterapia definitiva ou métodos endoscópicos para controle de sintomas.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo